Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Técnicos do governo se reúnem para analisar relatório do PL Antifacção

Reunião ocorre no Palácio do Planalto, com secretários e consultores em segurança pública

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Técnicos do Ministério da Justiça e em segurança pública se reúnem, nesta quarta-feira (12), no Palácio do Planalto, para discutir pontos do novo parecer do PL Antifacção, apresentado pelo deputado e secretário de segurança de São Paulo licenciado, Guilherme Derrite (PP-SP).

A estratégia para confrontar a nova versão já está sendo pensada entre ministros ligados à comunicação e política do governo. A ideia seria explicar que o projeto – ainda do jeito que está – beneficiará chefes do tráfico e facções criminosas, além de ser uma proposta facilmente questionada juridicamente.

A brevidade sobre a apresentação do projeto também tem sido apontada como um problema. O governo reclama de não ter sido ouvido no processo e afirma que o assunto não foi debatido a fundo com especialistas.

Embora considerem o recuo sobre dois pontos específicos da proposta um avanço – Derrite retirou propostas para alterar a Lei Antiterrorismo e para alterar as atribuições da PF (Polícia Federal) –, o governo ainda vê problemas no novo texto.

Um dos argumentos é que o projeto cria uma nova lei, intitulada de Marco Legal da Segurança, sem revogar a lei de organizações criminosas, chamada de OCRIM. Para os técnicos, a duplicidade de legislação levará a proposta ao STF (Supremo Tribunal Federal).

O Ministério da Justiça incluía no texto a tipificação de “facção criminosa”, o que acabou sendo descartado no relatório de Derrite. Sem esse trecho, segundo os técnicos, não haverá diferenciação entre os chefes de facção em relação a outros criminosos que tenham menor atuação.

Outro ponto que irritou o governo foi a alteração para prever que os bens e valores confiscados de facções criminosas sejam incorporados pelos estados e pelo Distrito Federal.

A mudança é vista pela gestão petista como um esvaziamento dos fundos federais e uma ameaça à capacidade da União de coordenar políticas nacionais de segurança pública.