Teo Cury
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Explica o que está em jogo, descomplica o juridiquês e revela bastidores dos tribunais e da política em Brasília. Passou por Estadão, Veja e Poder360

PGR diz que Ciro poderia usar de rede de influência para destruir provas

Paulo Gonet concordou com pedido da Polícia Federal para que senador fosse proibido de manter contato com outros investigados no caso Master

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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou, ao concordar com a deflagração de uma nova fase da operação que investiga fraudes no Banco Master, que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) poderia usar de sua rede de influência para destruição de provas ou intimidação de testemunhas.

O senador, ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro (PL) e um dos principais nomes do Centrão no Congresso Nacional, é investigado no esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o SFN (Sistema Financeiro Nacional).

Gonet escreveu ao ministro André Mendonça, responsável por conduzir as investigações no STF (Supremo Tribunal Federal), que a proibição ao senador de contato com demais investigados no processo era medida necessária e cabível.

"Dada a existência demonstrada de vínculos diversos com os membros da organização criminosa, além da possibilidade de utilização de sua rede de influência para destruição de provas ou intimidação de testemunhas, garantindo a perpetuação da organização criminosa no aparelho estatal”, escreveu.

A PF (Polícia Federal) sustenta que Ciro Nogueira “detém o controle e figura como principal beneficiário das condutas relacionadas à execução material de atos de lavagem de capitais sob investigação”.

“É inegável que sua capacidade de articulação política e institucional, aliada à proximidade reiterada com outros investigados, confere-lhe potencial elevado de influência sobre o curso da investigação, especialmente no que se refere ao alinhamento de versões, combinação de estratégias defensivas e circulação de informações sensíveis”, de acordo com a corporação.

Mendonça concordou com o parecer de Gonet, atendeu pedido da PF e determinou que o senador fique proibido de manter contato, por qualquer meio, com testemunhas e outros investigados no caso – entre eles, seu irmão.

Em nota, a defesa de Ciro repudiou a operação e afirmou que o senador "não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados". De acordo com os advogados, o parlamentar está à disposição para prestar esclarecimentos.