Alvos da PF, Ciro Nogueira e irmão estão proibidos de se falar; entenda

Nova fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada nesta quinta-feira; Raimundo Nogueira, irmão do senador, será monitorado por tornozeleira eletrônica

Rafael Sotero, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo
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Investigados pela quinta fase da Operação Compliance Zero, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e seu irmão, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, estão proibidos de manter contato com qualquer investigado pela ação.

Deflagrada nesta quinta-feira (7), a nova fase da ação que investiga o Caso Master busca aprofundar investigações sobre um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

De acordo com a decisão que autorizou a operação, relatada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a única proibição do senador é em relação ao contato, por qualquer meio, com os demais investigados no caso.

No caso de seu irmão, além da restrição de comunicação, Raimundo está proibido de sair de seu município de residência e será monitorado por meio de tornozeleira eletrônica. Ou seja, como o parlamentar e o irmão passaram a ser investigados pela PF, o contato entre eles passa a ser proibido.

O documento ainda confere a suspensão de atividades financeiras por parte do irmão do parlamentar.

Em nota, a defesa de Ciro repudiou a operação e afirmou que o senador "não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados". De acordo com os advogados, o parlamentar está à disposição para prestar esclarecimentos. A CNN tenta contato com a defesa de Raimundo.

Investigação

A Policia Federal apontou, em relatório enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal), que Ciro Nogueira recebeu "vantagens indevidas" de Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. Segundo o documento, o parlamentar teria apresentado uma emenda com objetivo de ampliar a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo investigadores, o instrumento teria sido elaborado com participação de integrantes do Banco Master.

No documento que autoriza a operação, Raimundo Nogueira aparece "individualizado como agente de sustentação formal e operacional da estrutura empresarial vinculada ao núcleo familiar do senador".

Ao todo são cumpridos dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal, nesta quinta fase da operação.