Teo Cury
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Explica o que está em jogo, descomplica o juridiquês e revela bastidores dos tribunais e da política em Brasília. Passou por Estadão, Veja e Poder360

Silvinei repete Ramagem e Zambelli e busca país alinhado ao bolsonarismo

El Salvador é presidido por Nayib Bukele, que se tornou símbolo da direita latino-americana

Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF, sendo apreendido pela polícia do Paraguai  • Reprodução
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O ex-diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal) Silvinei Vasques repetiu a estratégia dos ex-deputados federais Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP) e se articulou para fugir do Brasil para um país alinhado com o bolsonarismo.

A tentativa de Silvinei de chegar a El Salvador fracassou e sua viagem foi frustrada pela Polícia Federal. O ex-diretor-geral foi preso nesta sexta-feira (26) no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai.

El Salvador, país apontado pela Polícia Federal como destino final do ex-diretor-geral da PRF, é presidido por Nayib Bukele, que se tornou um símbolo da direita latino-americana.

Ainda não está claro o que motivou Silvinei a escolher El Salvador. Mas outros réus condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) também procuraram países com lideranças alinhadas ideologicamente com o bolsonarismo para tentar driblar a Justiça e evitar extradições.

É o caso de Ramagem, que fugiu para os Estados Unidos de Donald Trump, e de Carla Zambelli, que fugiu para a Itália de Giorgia Meloni.

O ministro Alexandre de Moraes mandou recentemente o governo brasileiro dar início ao processo de extradição de Ramagem, condenado por tentativa de golpe de Estado.

Zambelli está presa na Itália e aguarda a conclusão de seu processo de extradição.

Moraes já citou os dois ex-deputados em decisões que rejeitaram pedidos feitos pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para deixar o regime fechado e passar para regime domiciliar. Segundo o ministro, eles "se valeram da estratégia de evasão do território nacional, com objetivo de se furtar à aplicação da lei penal”.

Bukele é citado frequentemente por bolsonaristas como referência no enfrentamento ao crime organizado. Em novembro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que frequentemente elogiam a gestão Bukele em suas redes sociais, estiveram em El Salvador para visitar ministros do governo.

O presidente salvadorenho certa vez se descreveu como “o ditador mais legal do mundo” em resposta aos seus detratores. Bukele defende sua estratégia de segurança opressiva argumentando que os níveis de violência no país diminuíram.

As polêmicas políticas de segurança nacional de Bukele, incluindo toques de recolher, repressão à oposição e a defensores dos direitos humanos e detenções em massa, têm sido alvo de críticas de ONGs e ativistas.

Ao tentar fugir para El Salvador, Silvinei descumpriu medidas cautelares impostas em agosto do ano passado por Moraes. O ex-diretor-geral perdeu o direito de ficar em liberdade provisória. O ministro reverteu sua ordem anterior e determinou nesta sexta-feira a prisão preventiva de Silvinei.