STJ: silêncio, perplexidade e indignação marcam sessão que afastou ministro
Ministros ouviram leitura de trechos de depoimentos das mulheres que acusam Marco Buzzi de importunação sexual; reunião durou uma hora e meia

Ministros que participaram da sessão que culminou no afastamento de Marco Buzzi do STJ (Superior Tribunal de Justiça) relatam, reservadamente, que o encontro foi marcado por silêncio da maioria dos magistrados, perplexidade e indignação.
A sessão extraordinária foi convocada por Herman Benjamin, presidente do tribunal, após uma nova vítima, que trabalhava no gabinete de Buzzi, acusar o ministro de importunação sexual depor ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) na segunda-feira (9).
A decisão dos ministros foi tomada de maneira unânime no final da manhã e esvaziou o pedido de licença que havia sido apresentado por Buzzi minutos antes do início da sessão. O magistrado buscou renovar o período de afastamento, ampliando-o de dez para 90 dias.
A reunião durou uma hora e meia. O ministro Francisco Falcão, que integra a comissão que conduz a sindicância contra Buzzi, tomou a palavra e leu aos presentes trechos de depoimentos das duas vítimas que acusam o ministro.
O primeiro relato, da jovem de 18 anos filha de um casal de amigos do ministro, foi feito na semana passada. O segundo, que sacramentou o afastamento de Buzzi, foi dado na segunda-feira ao ministro Mauro Campbell, corregedor nacional de Justiça.
Enquanto o ministro lia trechos dos depoimentos das vítimas, os colegas acompanhavam atentos e em silêncio. Os ministros que ouviram os relatos das vítimas lidos por Falcão afirmam que o clima na sessão era de perplexidade e indignação.
A avaliação dos ministros é a de que se algum pensava em defender Buzzi mudou de ideia diante da leitura dos trechos dos depoimentos das vítimas. A decisão pelo afastamento cautelar do ministro foi unânime.
Buzzi está impedido de ir ao STJ, utilizar veículo oficial do tribunal e usufruir de prerrogativas inerentes ao exercício da função de ministro. Apesar disso, o salário mensal de R$ 44.047,88 está mantido.
Os ministros decidiram durante a sessão que vão decidir no dia 10 de março sobre as conclusões da comissão de sindicância. Na prática, o STJ definirá nesta data se determina a aposentadoria compulsória de Buzzi.



