Thais Herédia
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Thais Herédia

Passou pelos principais canais de jornalismo do país. Foi assessora de imprensa do Banco Central e do Grupo Carrefour. Eleita em 2023 a Jornalista Mais Admirada na categoria Economia do Jornalistas e Cia.

Análise: Brasil não pode correr risco de ser "exemplo" de punição de Trump

Receio entre empresários e consultores cresce diante da inoperância do governo brasileiro em alcançar as autoridades dos EUA

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A 10 dias do prazo estipulado por Donald Trump para impor tarifa de 50% aos produtos brasileiros, o governo Lula ainda não conseguiu abrir um canal de comunicação eficaz com os americanos.

O receio entre empresários e consultores cresce diante da inoperância do governo brasileiro em alcançar as autoridades dos EUA. Um grande risco, segundo fontes ouvidas pelo blog, é o Brasil virar o “exemplo” do que acontece com quem não acatar os desejos de Trump.

Muitos temem que a atuação do governo Lula dê ao presidente americano a forma de uma conduta que não será aceita pelo republicano. O Brasil sendo uma das maiores economias do mundo, um país membro do Brics, o maior exportador de alimentos e com mercado consumidor de mais de 200 milhões de pessoas só reforçaria a retórica do exemplo educativo para os outros países.

“Quer ser contra EUA? Olha o que fizemos com Brasil: é isso que querem?”, indaga um executivo que participa ativamente das conversas com governo Lula, reproduzindo o que seria uma campanha de Donald Trump diante de outros países — aliados, ou não.

Muitos avaliam que acusar os argumentos da atuação da Casa Branca de não fazerem sentido econômico, não estarem fundamentada nos fatos — caso do superávit americano na balança comercial — e ainda invadirem a soberania dos poderes da república brasileira, não tem qualquer efeito sobre as decisões de Trump.

Está claro para maioria dos executivos ouvidos pelo blog que a briga de Trump com Brasil é pessoal, uma disputa por poder político e, com efeito de demonstração para outros países, mas também internamente. O apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro já foi apontado por Steve Bannon, um dos principais criadores do Maga — Make América Great Again — como um triunfo para o movimento.

Empresários que representam companhias e negócios expostos à economia americana, segundo relatos feitos à CNN, estão “exasperados, decepcionados e, em algumas situações, quase que resignados” com a baixíssima expectativa de uma negociação positiva, ou que consiga, ao menos, atrasar a entrega em vigor das punições de Trump ao país.

Há muita indagação sobre quem poderia sair em defesa do Brasil na comunidade internacional. Europa, Japão, México e até a China, estão todos cuidando do seu próprio quintal, sem querer aumentar zona de conflito com Donald Trump.

O contexto atual não dá às outras democracias a liberdade de colocar sua própria segurança — econômica e política — sob risco.

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