Thais Herédia
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Thais Herédia

Passou pelos principais canais de jornalismo do país. Foi assessora de imprensa do Banco Central e do Grupo Carrefour. Eleita em 2023 a Jornalista Mais Admirada na categoria Economia do Jornalistas e Cia.

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BC liga fraudes do Master a Reag, investigada em operação Carbono Oculto

Relatório enviado ao TCU detalha operações suspeitas envolvendo fundos já investigados por ligação com o crime organizado

Fachada do Banco Master na cidade de São Paulo
Fachada do Banco Master na cidade de São Paulo  • WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
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O Banco Central relata, em documento enviado ao Tribunal de Contas da União, que parte das fraudes atribuídas ao Banco Master envolve fundos administrados pela Reag Trust, empresa que já foi alvo de investigação por suspeitas de ligação com esquemas de lavagem de dinheiro apurados na operação Carbono Oculto, que investiga a relação entre o setor de combustíveis, o PCC e empresas financeiras.

Segundo o relatório encaminhado ao TCU, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Master e fundos administrados pela Reag estruturaram operações em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional, com falhas graves de gestão de risco, crédito e liquidez.

Essas operações fazem parte de um conjunto de transações estruturadas que somam R$ 11,5 bilhões, incluindo fundos ligados à Reag.

O Banco Central aponta ausência de garantias, falta de diversificação dos ativos e inadequado gerenciamento de capital. O relatório também registra a suspeita de que os fundos tenham sido utilizados para pulverizar recursos em nome de terceiros.

Entre os fundos citados estão o Bravo 95 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado e o D Mais Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, ambos administrados pela Reag. Parte desses recursos também teria sido realocada na tentativa de viabilizar a venda do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília).

De acordo com o documento, o Banco Central informa ao TCU que comunicou o Ministério Público Federal sobre os indícios identificados.

Segundo pessoas a par do conteúdo do relatório, um dos possíveis beneficiários finais das operações seria o próprio controlador do banco, Daniel Vorcaro. Procurados pela CNN, Vorcaro, o Banco Master e a Reag Trust não se manifestaram.

Liquidação do Master e embate com o TCU

No mesmo relatório, o Banco Central sustenta que a liquidação do Banco Master não foi uma medida extrema ou precipitada. Como antecipado pela CNN Brasil, o regulador afirma ao TCU que a intervenção foi consequência direta da identificação de indícios reiterados de fraude, má gestão e risco sistêmico.

O documento informa que a nova comunicação ao Ministério Público Federal ocorreu em 17 de novembro, na véspera da decretação da liquidação do banco, anunciada no dia 18.

O relatório também menciona uma comunicação anterior ao MPF, relacionada à revenda de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados inexistentes ao BRB, segundo os investigadores.

O processo em curso no Tribunal de Contas da União corre sob sigilo, por decisão do relator Jhonatan de Jesus, e apura possíveis falhas e omissões do Banco Central no caso Master.

Nos bastidores do tribunal, há divergência sobre o alcance do poder da corte para questionar ou eventualmente anular a liquidação decretada pelo órgão regulador e surprevisor do sistema financeiro.

O receio da revogação da liquidação do Master também vem do ministro Dias Toffoli, do STF, que conduz uma investigação sob sigilo e tomando decisões controversas. Como foi a convocação da acareação dos investigados e do diretor do Banco Central.

Ao final, depois de depoimentos dos convocados à Polícia Federal, o BC foi dispensado da acareação, mas o receio pela imprevisibilidade do processo sob Toffoli continua.

Em nota à CNN Brasil, a Reag negou qualquer vínculo com o PCC e afirmou que colabora com as investigações.

"Desde o início das apurações relacionadas à Operação Carbono Oculto, a Reag tem colaborado integralmente com as autoridades, fornecendo informações, documentos e acesso aos seus sistemas sempre que solicitado".

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