Thais Herédia
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Thais Herédia

Passou pelos principais canais de jornalismo do país. Foi assessora de imprensa do Banco Central e do Grupo Carrefour. Eleita em 2023 a Jornalista Mais Admirada na categoria Economia do Jornalistas e Cia.

William Waack

Análise: Caso Master vira ataque político ao Banco Central

Rever a liquidação do Banco Master é, na prática, algo impossível: a legislação, os procedimentos regulatórios e a própria lógica do sistema financeiro tornam essa hipótese inviável

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O caso Master deixou de ser, há algum tempo, uma simples discussão técnica sobre a liquidação de uma instituição financeira. O que começou como um processo típico do sistema bancário transformou-se rapidamente em uma ação política de grande alcance, tendo o BC (Banco Central) como alvo.

Rever a liquidação do Banco Master é, na prática, algo impossível: a legislação, os procedimentos regulatórios e a própria lógica do sistema financeiro tornam essa hipótese inviável. O simples fato de tal possibilidade ter sido levantada publicamente por um ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) já evidencia um desconhecimento básico sobre o funcionamento do SFN (Sistema Financeiro Nacional) e, sobretudo, sobre o papel do Banco Central nesses casos.

Diante disso, a pergunta se desloca: se a liquidação não pode ser desfeita, qual é, afinal, o objetivo de tamanha pressão política em torno do caso? Uma das hipóteses mais plausíveis é a tentativa, por parte dos acionistas do Master, de produzir o máximo de ruído possível, criando um ambiente de instabilidade e constrangimento para extrair algum tipo de compensação do Estado, na forma de indenização.

O problema, porém, é que a situação já ultrapassou em muito os limites do caso Master. A condução do processo no STF (Supremo Tribunal Federal) e a atuação do TCU acabaram por abrir uma caixa de Pandora extremamente perigosa para o funcionamento das instituições econômicas do país.

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, por exemplo, recorreu às redes sociais para defender que o Banco Central seja investigado não apenas pelo episódio do Master, mas também por decisões de política monetária, como o aumento da taxa de juros. Trata-se de um passo grave, que mistura deliberadamente questões técnicas com disputas políticas e ideológicas. Quem abre essa caixa não parece saber — ou simplesmente não demonstra preocupação — com a forma de fechá-la, menos ainda com as consequências do que pode emergir de seu interior.