Análise: Impasse entre poderes se consolida como rotina
A crise virou método. O impasse institucional virou rotina. E o país, refém de uma guerra de poderes em busca de protagonismo
Foi no susto que o ministro marqueteiro de Lula ganhou, finalmente, uma campanha de comunicação para colocar de pé.
A derrubada do decreto do IOF pelo Congresso fortaleceu a estratégia Robin Hood do governo — aquela em que diz tirar dos ricos para dar aos pobres.
Lula aposta alto no discurso de que o Congresso protege o andar de cima e atiçou a oposição ao autorizar o advogado da União a avaliar a judicialização da cobrança do IOF no Supremo.
No teatro do embate político, Lula contou com a atuação do PSOL — aliado fiel — para trazer o STF para a briga. O partido alega usurpação de competência do Executivo, tese defendida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
O governo tenta transformar derrotas em discurso político, enquanto o Legislativo revida com caneta e controle do orçamento — piorando as contas públicas e afetando a economia, como no caso da conta de luz.
No fundo, não se trata de cortar gastos ou de decretos para aumentar arrecadação, mas de quem dita as regras do jogo.
A crise virou método. O impasse institucional virou rotina. E o país, refém de uma guerra de poderes em busca de protagonismo.




