Thais Herédia
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Thais Herédia

Passou pelos principais canais de jornalismo do país. Foi assessora de imprensa do Banco Central e do Grupo Carrefour. Eleita em 2023 a Jornalista Mais Admirada na categoria Economia do Jornalistas e Cia.

Análise: Trump e Lula trocam afagos; será real?

Trump, conhecido por seu estilo direto e pouco afeito às sutilezas, gosta de ser cortejado por outros líderes e aprecia ainda mais quando chefes de Estado demonstram necessidade dele

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (1º) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ligar para ele "quando quiser". A declaração, no entanto, não deve ser interpretada como um gesto diplomático calculado ou um sinal sutil de abertura ao diálogo.

Trump, conhecido por seu estilo direto e pouco afeito às sutilezas, gosta de ser cortejado por outros líderes e aprecia ainda mais quando chefes de Estado demonstram necessidade dele, recuando ou aceitando suas condições.

No caso do Brasil, no entanto, nem a bajulação aconteceu, tampouco houve um recuo por parte do governo brasileiro. Diante da pressão de setores econômicos afetados nos próprios Estados Unidos, foi o próprio Trump quem precisou ceder, sem, contudo, admitir publicamente que estava fazendo uma concessão ao Brasil.

Apesar disso, a semana termina com um cenário mais ameno: o chamado "tarifaço" veio bem abaixo do esperado, e houve uma abertura para o diálogo – desta vez, com um caráter mais formal – entre o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), com seus homólogos norte-americanos, ainda que esse movimento tenha ocorrido com certo atraso.

No entanto, é prematuro baixar a guarda. Segundo informações obtidas por interlocutores que estiveram recentemente em contato direto com representantes do Departamento de Estado e do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, existe a percepção de que, se o Brasil não retaliar as tarifas e a imposição da Lei Magnitsky sobre o ministro Alexandre de Moraes, e tampouco escalar a resposta, talvez os ataques cessem.

Ainda assim, o recado dado por figuras influentes no entorno de Trump, como o senador Marco Rubio e o investidor Scott Bessent, é claro: quem está no comando do cenário atual é Donald Trump – “Trump is running the show.”