FMI pode injetar US$ 1 trilhão em empréstimos para combater o coronavírus


Reuters
16 de março de 2020 às 15:49 | Atualizado 16 de março de 2020 às 16:01
Diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva

Diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, defende ações coordenadas de política monetária e fiscal para combater o coronavírus

Foto: REUTERS/Florence Lo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está preparado para mobilizar US$ 1 trilhão em empréstimos para ajudar seus 189 países membros combater os efeitos do coronavírus, disse a diretora-gerente da entidade, Kristalina Georgieva.

Em mensagem publicada no site da instituição, Georgieva pediu aos governos que tomem medidas coordenadas de estímulo fiscal e monetário para impedir que a pandemia cause danos econômicos a longo prazo.

"À medida que o vírus se espalha, o argumento para um estímulo fiscal global coordenado e sincronizado está se fortalecendo a cada hora", afirmou Georgieva.

A diretora-gerente sugeriu que uma ação fiscal coordenada na escala da crise financeira de 2008-2009 pode ser necessária. Somente em 2009, lembrou, o G20 investiu cerca de 2% de seu PIB em estímulo, ou cerca de US$ 900 bilhões no valor de hoje. 

Georgieva disse que os governos deveriam continuar a priorizar gastos com saúde e fornecer suporte aos mais afetados com políticas como licença-saúde e alívio fiscal. Sem citar nomes, a diretora-gerente afirmou que o FMI tem recebido interesse de cerca de 20 países para o financiamento de programas.

No fronte da política monetária, avaliou que os bancos centrais "deveriam continuar a sustentar a demanda e ampliar a confiança com afrouxamento das condições financeiras e garantindo o fluxo de crédito à economia real", citando ações emergenciais do Federal Reserve (Fed) e outros bancos centrais no domingo, como exemplo.

Georgieva comemorou a abertura de linhas de swap entre os principais bancos centrais, acrescentando que essas talvez precisem ser estendidas aos países de mercados emergentes no futuro. Ela também afirmou que as ações de política monetária dos bancos centrais precisarão equilibrar o difícil desafio de lidar com as saídas de capital dos mercados emergentes e os choques nos preços das commodities.