Renda fixa ou variável: quais as melhores opções em tempos de juros a 3,75%?


Luísa Melo e Luís Lima Do CNN Brasil Business
20 de março de 2020 às 11:16 | Atualizado 20 de março de 2020 às 17:55
Dinheiro (notas de R$ 50), cheque e cartões de crédito

Diversificar investimentos em tempos de crise é regra de ouro contra instabilidade (04.07.2013)

Foto: Marcos Santos/USP Imagens (04.07.2013)

Com a taxa básica de juros no novo patamar de 3,75%, os investimentos em renda fixa, que já há algum tempo não estavam atrativos, ficaram ainda menos rentáveis. Do outro lado, a renda variável vive dias de pânico em razão das incertezas quanto à dimensão do impacto do coronavírus na economia – a bolsa brasileira acumula queda de mais de 40% no ano. 

Nesse cenário, em quais produtos apostar? Quem já está na renda variável deve sair para evitar mais perdas? Quem ainda não está deve aproveitar a oportunidade de comprar barato? Que opções ainda valem a pena na renda fixa?

Seja qual for a sua situação, antes de tudo: nada de desespero. Decisões que envolvem dinheiro precisam ser tomadas com calma. E a velha máxima dos investimentos continua mais válida do que nunca: diversificar o portfólio diminui os riscos. É o que dizem especialistas consultados pelo CNN Brasil Business

Renda fixa

Independentemente da rentabilidade, os produtos de renda fixa continuam sendo indicados para formar uma reserva de emergência, pois garantem algum rendimento, ainda que baixo, e possuem liquidez, ou seja, podem ser sacados a qualquer momento. Além disso, também valem para construir um colchão para aproveitar oportunidades em momentos como agora.

Nessa linha, entram no radar os fundos de renda fixa, CDBs de liquidez diária e até fundos de crédito privado, que têm prazo maior para resgate. "No caso dos fundos de crédito privado, é importante ter visão de médio e longo prazo, além de cuidar com a qualidade das empresas participantes. Esses produtos não servem para reserva de emergência, mas são interessantes se o objetivo é diversificar portfólio", avalia José Falcão, analista de investimentos da Easynvest. 

Para reserva de emergência, uma das melhores opções, segundo Falcão, é o Tesouro Selic, emitido pelo Tesouro Nacional. “É um produto simples, fácil de aplicar e resgatar, com risco mínimo e liquidez rápida. Está disponível em todas as plataformas de investimento, e é possível começar com aportes baixos, como R$ 100”, exemplifica. 

Felipe Beckel, analista de renda fixa da Eleven, cita as antigas NTN-B (hoje chamadas de Tesouro IPCA+) com vencimentos em 2026 e 2035, e rendimentos de IPCA mais 4,2% e IPCA mais 4,5%, respectivamente. “Quanto maior o vencimento, maior o prêmio e, obviamente, maior exposição à volatilidade devido à duration do papel. (...) São papéis com uma atratividade muito interessante."

Falcão ainda cita os fundos pós-fixados de bancos ou empresas, como as LCIs e LCAs e fundos DI com taxa zero. “Fundos DI são boas opções para reserva de emergência, inclusive podem ter um rendimento mais interessante que o Tesouro Selic, e não têm a taxa de custódia, de 0,3% ao ano” lembra o analista.

Já a poupança, não é recomendada. “A poupança é roubada, porque qualquer dinheiro que fica ali por algum tempo já perde em rentabilidade para outros investimentos. A única que vale a pena é a poupança antiga”, diz Thomaz Fortes, gestor de fundos da Warren.  

A distinção entre “nova” e “velha poupança” existe porque as regras da caderneta mudaram. Até 3 de maio de 2012, os depósitos sempre rendiam 0,5% por mês (ou 6,17% ao ano) mais a Taxa Referencial (TR), que está zerada. Depois dessa data, esse cálculo passou a valer apenas quando a Selic está acima de 8,5%. Quando ela fica igual ou abaixo de 8,5%, o rendimento é menor, de 70% da taxa básica. Os depósitos feitos antes da alteração, porém, continuam sendo corrigidos pela regra antiga. 

O tempo de aplicação precisa ser observado porque os ganhos da poupança são isentos de imposto de renda, ao contrário dos de fundos e de CBS, por exemplo. E a tributação, nesse caso, é regressiva: quanto mais tempo o dinheiro fica investido, menor é a alíquota.

É importante lembrar também que, nesses tempos de volatilidade extrema, até mesmo a renda fixa passa por estresse. A negociação de títulos do Tesouro chegou a ser interrompida temporariamente nos últimos dias devido à oscilação. “E teve LFT com vencimento longo e marcada a mercado (com preço atualizado diariamente) rendendo menos do que o CDI”, lembra Fortes, da Warren. 

Renda variável

Se você investiu em renda variável e está em pânico com as perdas dos últimos dias, sua estratégia provavelmente está errada. 

“Quem está nervoso é quem vai precisar do dinheiro em alguns meses, e isso a gente nunca recomenda. Renda variável é para prazo mínimo de cinco anos, você tem que estar pronto para ver o patrimônio cair 50% em alguma janela. Hoje a janela é ruim, mas olhando para 10, 15 anos, normalmente o saldo é positivo”, diz Fortes.  

Para quem está na bolsa, a recomendação é esperar e não vender tudo e sair no prejuízo. “Ainda é muito cedo para tomar alguma decisão e rever a carteira. Os ativos estão voláteis, mas podem ficar ainda mais. Tudo passa e os ativos de qualidade vão voltar a gerar retorno”, afirma Pedro Sternick, diretor da gestora AF Invest.

Também não é porque as bolsas estão despencando que a chance de comprar na baixa deve ser aproveitada a qualquer custo. “Não é para vender o apartamento para aplicar na renda variável porque está baixo”, pondera o gestor da Warren. 

Para quem tem alguma sobra para investir, a “reserva de oportunidade”, a recomendação é comprar aos poucos. 

Além disso, o investimento em renda variável não se resume à bolsa e há quem esteja ganhando nesse cenário, como os que já tinham posição em hedge cambial (instrumento de proteção contra a variação do dólar), e tiveram lucros com a forte valorização da moeda norte-americana.