O que é o plano Marshall? Entenda o pacote evocado pelo presidente da XP


Do CNN Brasil Business*, em São Paulo
23 de março de 2020 às 12:29 | Atualizado 23 de março de 2020 às 15:49
XP

Sede da XP Investimentos em São Paulo (11.dez.2019)

Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Em uma live com colegas empresários, transmitida neste domingo (22), o presidente da XP Investimentos, Guilherme Benchimol, defendeu a criação de um “plano Marshall” para a recuperação da economia brasileira, uma das mais afetadas pela pandemia de coronavírus no mundo. 

De acordo com ele, só uma intervenção mais pesada do governo federal será capaz de conter a crise nos mercados e o crescimento do desemprego, que, ainda segundo Benchimol, deve atingir a mais de 40 milhões de brasileiros num futuro próximo. 

Na reunião, participaram o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, o presidente da Stone, André Street, o presidente da MRV, Rubens Menin. 

"Eu vi hoje uma entrevista do presidente regional do Fed de St. Louis, James Bullard (banco central norte-americano), dizendo que a taxa de desemprego irá subir de 3% para mais de 30% nos Estados Unidos por causa da crise", afirmou. "No Brasil, onde há mais de 10 milhões de desempregados, acredito que o impacto será muito maior", disse. "O risco é aumento de pessoas passando fome e no número de assassinatos."

Em resposta ao questionamento do CEO da XP, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou que mais de 20 a 30 milhões de brasileiros serão impactados com as medidas atuais. "Provavelmente vai se precisar de mais e vamos ajudar. Já estamos postergando os pagamentos, reduzindo a taxas de juros", disse. "Isso nos preocupa e está sendo liderado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes."

Benchimol ainda ressaltou que as medidas já anunciadas talvez não sejam suficientes. "O que temos até agora é uma gota no oceano. Tem de ser um plano de verdade, os números são assustadores, o buraco é muito mais embaixo", disse.

Mas o que é o plano Marshall?

O plano lembrado por Benchimol foi responsável pela recuperação econômica das principais potências europeias no período após a Segunda Guerra Mundial. Batizado em homenagem a seu idealizador, George Catlett Marshall, um general do exército americano, o programa disponibilizava dinheiro dos cofres Estados Unidos a países como Itália, França e Inglaterra.

Para garantir a distribuição dos recursos, foram criados importantes órgãos econômicos, como a Organização para a Cooperação Econômica Europeia (OEEC), criada em 1948, que mais tarde viria a se tornar a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE),em atividade até hoje.

As verbas, expressivas para a época, foram empenhadas na reconstrução da indústria, da agricultura e para o fortalecimento de transações comerciais europeias. A ajuda, no entanto, foi destinada exclusivamente a países da Europa ocidental, fomentando a guerra fria contra nações alinhadas à União Soviética e seu regime comunista. 

Em vigor entre 1947 e 1951, o pacote de medidas fortaleceu a noção da interdependência e necessidade de cooperação entre os países europeus, legitimando ainda mais a importância de um bloco econômico que os unisse, como posteriormente viria a surgir, e de instituições como a Organização das Nações Unidas (ONU), já em atividade desde 1942, ainda durante a Segunda Guerra Mundial.

 

*Com informações da Estadão Conteúdo