O que é o CDB e para qual investidor ele é indicado?


Luísa Melo Do CNN Brasil Business
26 de março de 2020 às 11:46 | Atualizado 26 de março de 2020 às 15:20
Capacitação na área de finanças e investimentos

CDB pode ser corrigido de várias maneiras e ter ou não liquidez diária. É preciso ficar atento ao contrato

Foto: Helloquence/Unsplash

Quem já recorreu ao gerente do banco para encontrar um investimento de baixo risco alternativo à poupança provavelmente deve ter recebido a oferta de um Certificado de Depósito Bancário, o CDB. Esse é o produto de renda fixa mais popular do mercado privado, ou seja, sem contar os títulos públicos do Tesouro Direto.

Com os juros básicos na mínima histórica e a renda variável no radar até dos investidores mais iniciantes, paira a dúvida: ainda vale a pena colocar dinheiro no CDB? A resposta vai depender do objetivo do investimento, mas para alguns casos, ele continua sendo uma boa alternativa.

Antes de tomar qualquer decisão, é importante entender o que é o CDB. O certificado nada mais é que um título emitido pelos bancos. Basicamente, ao comprar um CDB o investidor empresta dinheiro para o banco e, em troca, é remunerado por isso com juros. 

É um produto de renda fixa, ou seja, que garante alguma rentabilidade ao fim do contrato. É importante lembrar, no entanto, que apesar de ser um retorno certo, nem sempre esse ganho fica acima da inflação.

Os CDBs mais comuns rendem um percentual do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), taxa usada nos empréstimos que os bancos fazem entre si e que tem valor próximo ao da Selic (atualmente em 3,75%). Esse percentual pode ser igual, menor ou maior que 100%. Por exemplo: o CDB pode render 90% do CDI, 100% do CDI, 130% do CDI, e por aí vai.

Mas há também CDBs prefixados (que têm uma taxa de correção pré-definida) e híbridos (têm uma taxa de correção fixa acrescida de algum índice variável, como o IPCA, que mede a inflação). 

Como o rendimento do CDB prefixado não muda, o investidor já sabe no momento da compra quanto vai receber se resgatá-lo no vencimento, ao contrário dos demais. Mas ele também é mais arriscado que os outros porque a Selic (e consequentemente o CDI) e a inflação variam e podem subir acima da rentabilidade marcada, principalmente se o título for de longo prazo.

Dá pra resgatar a qualquer momento?

O título pode ou não ter liquidez diária (quando os valores podem ser sacados a qualquer momento). Quanto maior é o prazo de vencimento do CDB, ou seja, quanto maior é o tempo pelo qual o dinheiro fica investido, melhor ele paga. 

Por outro lado, quando a liquidez não é diária e o resgate é feito antes do vencimento, normalmente é cobrada uma penalidade, que vai variar de acordo com a instituição financeira – por isso é preciso prestar atenção nos prazos e nas condições.

Também é preciso ficar atento à tributação. Os rendimentos dos CDBs sofrem desconto do imposto de renda. A cobrança é regressiva: quanto mais tempo o dinheiro fica investido, menor é a alíquota. Para 180 dias, é de 22,5%; de 181 a 360 dias, de 20%; de 361 a 720 dias, de 17,5% e, acima de 720 dias, de 15%.

Além disso, se aplicação durar menos que 30 dias, é cobrado ainda o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), também de maneira regressiva. 

Por que os gerentes recomendam?

O CDB, assim como outros produtos, é usado pelos bancos para levantar dinheiro para emprestar aos clientes (e ganhar com os juros depois). Mas ao contrário de outros, esse instrumento de captação é flexível e não exige destinação obrigatória para um determinado setor – os recursos captados com  LCAs, por exemplo, têm que ser usados para financiar projetos do agronegócio, e os das LCIs precisam ser direcionados ao mercado imobiliário. 

“Quando você compra um CDB, é impossível saber o que o banco vai fazer com esse dinheiro, ele pode usar para qualquer coisa. Por isso, é um instrumento de captação fácil, além de barato”, afirma Bernardo Pascowitch, fundador do buscador de investimentos Yubb.

E justamente por isso o produto é tão popular entre os gerentes, porque ele é interessante para o banco. Porém, se engana aquele que pensa que as melhores opções estão nos bancos tradicionais, como Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander. Por terem uma massa grande de clientes e maior capilaridade, fica muito mais fácil para eles arrecadarem dinheiro – e, por isso, pagam retornos menores que os médios bancos (que precisam se capitalizar com esse dinheiro). 

Uma boa saída para os conservadores

O CDB é um produto para os investidores conservadores, que não toleram perdas e não oferece ganhos comparáveis com o os de produtos de renda variável, mais arriscados. Mas, dentro do universo da renda fixa, ainda são opções interessantes.

Para se ter uma ideia, há CDBs hoje no mercado com vencimento de dois a três anos que dão um rendimento líquido (ou seja, descontado o imposto de renda) acima de outros investimentos como LCIs e LCAs (também de renda fixa e isentas de imposto de renda). Em alguns casos, os ganhos podem ultrapassar 7% ao ano. 

Outros com prazos de um ano rendem menos, mas podem superar o Tesouro Selic, com retornos ao redor de 5%. 

Já os de liquidez diária não entram na lista dos produtos de renda fixa com maiores retornos, mas continuam sendo indicados para reserva de emergência porque costumam render mais do que a poupança.

 “O CDB com liquidez diária continua a ser o melhor produto para reserva de emergência”, diz a planejadora financeira e professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), Myrian Lund. 

Mas, mesmo com essa finalidade, não é qualquer um que vale a pena: sempre é preciso observar a rentabilidade. “O que não pode, de jeito nenhum, é ganhar abaixo de 90% do CDI, porque aí a poupança começa a ser mais vantajosa”, diz Myrian.

Bernardo Pascowitch, fundador do buscador de investimentos Yubb, tem uma régua uma pouco mais alta. “Eu não aceitaria, como investidor, um CDB de liquidez diária com menos de 100% do CDI. Esse é o padrão”.