'Reabrir salões seria mais seguro do que andar de ônibus', diz empresária

Sócia-proprietária de um salão de beleza defendeu que reabertura seria feita com protocolos de segurança que criariam ambiente quase hospitalar nos salões

Da CNN, em São Paulo
12 de maio de 2020 às 14:22

Sócia-proprietária de um salão de cabeleireiro, Rosangela Barchetta defendeu, em entrevista à CNN, nesta terça-feira (12), que esses estabelecimentos são serviços essenciais que devem voltar à ativa e garantiu que, caso sejam reabertos, seguirão protocolos que tornariam o serviço mais seguro do que andar de ônibus em meio à pandemia de Covid-19.
 
"Acho que a melhor forma realmente é liberar, porque hoje já existem protocolos de segurança que consideram toda a jornada da cliente no salão, desde o momento em que ela entra e passa por desinfecção", disse ela. "Todos os protocolos foram criados em parceria com o Sebrae e atendem a uma exigência muito grande, quase que hospitalar, e oferecem uma segurança muito maior do que, por exemplo, a pessoa pegar um ônibus como está acontecendo em São Paulo", acrescentou.

Rosangela ainda criticou profissionais que estão atendendo aos clientes de "modo clandestino". "Algumas empresas estão sofrendo mais por realmente estar cumprindo o isolamento enquanto está acontecendo essa clandestinidade que é péssima para o setor", avaliou. 

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Diante desse cenário, ela ressaltou que reabrir com essas regras seria a alternativa mais adequada para o momento. "As pessoas acabam fazendo por fora e o governo não está controlando. É melhor abrir com os critérios desenvolvidos de uma maneira séria, oferecendo segurança e com a fiscalização necessária", defendeu. "Porque, afinal, o serviço de salão de beleza é um serviço essencial, na medida que trabalha com higiene, emprega milhões de pessoas no Brasil e é possível fazer com segurança."

Além disso, Rosangela citou que o setor de beleza também afeta a autoestima das pessoas. "É um serviço que mexe muito com o emocional e atua diretamente com o bem-estar. A gente vê aumento de depressão e doenças psiquiátricas que, trabalhando com segurança, dariam uma boa melhora", avaliou ela. 

A empresária pediu que o "decreto presidencial seja considerado pelos governadores". "Não devemos entrar em um momento de disputa política, pois a situação é complicadíssima. São milhares de pessoas atuando no setor que vão perder seus empregos", pontuou. "Para o setor de beleza está um momento desafiador e caótico. Se não tiver clientes para atender, a gente não tem como bancar nossos custos, então todos os profissionais de beleza estão passando por um momento de grande dificuldade", concluiu.

Na segunda (11), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) incluiu academias, salões de beleza e barbearia na lista de serviços essenciais. "Eu coloquei hoje, porque saúde é vida", explicou o presidente à imprensa, na segunda-feira (11). A medida foi criticada por parte dos governadores, que afirmaram que manterão esses comércios fechados.

Sócia-proprietária de um salão de cabeleireiro, Rosangela Barchetta fala à CNN
Foto: CNN (12.mai.2020)