Powell diz que não cortará juro dos EUA abaixo de zero e pede mais apoio fiscal

Powell deixou claro que não levará os juros abaixo de zero, apesar de prometer usar mais o poder do banco central norte-americano conforme necessário

Reuters
13 de maio de 2020 às 11:48 | Atualizado 13 de maio de 2020 às 12:16

Chaiman do Federal Reserve, Jerome Powell, pediu mais gastos fiscais para estimular economia dos EUA

Foto: Kevin Lamarque/Reuters

O chairman do Federal Reserve, Jerome Powell, alertou nesta quarta-feira (13) que o país pode enfrentar um "período prolongado" de crescimento fraco e renda estagnada,  em uma análise moderada sobre onde a economia dos Estados Unidos se encontra em meio a sua reabertura. Ele prometeu usar mais o poder do banco central norte-americano conforme necessário e também fez um pedido por mais gastos fiscais.

"Vai levar algum tempo para voltar para onde estávamos", disse Powell. "Há um senso, um senso crescente, acho, de que a recuperação pode ocorrer mais lentamente do que gostaríamos, mas ela acontecerá, e isso pode significar que é necessário que façamos mais."

Powell deixou claro, no entanto, que não levará os juros abaixo de zero, num momento em que os operadores apostam cada vez mais nessa medida. As taxas de juros negativas, disse ele, "não são algo que estamos considerando".

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As observações de Powell marcaram um aceno extraordinário aos riscos que a economia dos EUA enfrenta pelas crises sanitária e econômica provocadas pela pandemia de coronavírus.

O banco central dos EUA reduziu os juros a perto de zero e montou uma ampla rede de programas para garantir que os mercados financeiros continuem a funcionar durante a pandemia. Também estabeleceu instrumentos de empréstimo sem precedentes para empresas e as primeiras compras na história de títulos corporativos.

O Congresso, por sua vez, destinou quase US$ 3 trilhões para alívio econômico durante a crise.

A resposta dos EUA até o momento "tem sido particularmente rápida e contundente", disse Powell em webcast do Peterson Institute for International Economics.

"Mas a recuperação pode levar algum tempo para ganhar força" e ser ditada pelo progresso na luta contra a pandemia de coronavírus, disse ele.

Quanto mais os riscos à saúde persistirem, acrescentou Powell, maior a probabilidade de as empresas falirem e as famílias terem uma diminuição na renda, em meio a uma crise que, segundo ele, afetou mais profundamente os menos capazes de enfrentá-la. Uma pesquisa recente do Fed, disse ele, estimou que 40% das famílias com menos de US$ 40.000 de renda incluem alguém que perdeu o emprego desde fevereiro

No pior cenário, a economia ficaria atolada em "um período prolongado de baixa produtividade e renda estagnada... Suporte fiscal adicional pode ser caro, mas vale a pena se ajudar a evitar danos econômicos a longo prazo e nos deixar com uma recuperação mais forte", disse Powell, o que corresponde a um pedido direto ao Congresso para acrescentar quase US$ 3 milhões em alívios econômicos durante a pandemia.

"Esse tradeoff é algo para nossos representantes eleitos, que exercem poderes de tributação e gastos."

Os rendimentos dos Treasuries caíam após as declarações de Powell, e alguns contratos de juros futuros continuavam a precificar uma pequena chance de que o banco central possa recorrer a uma política de juros negativos dentro de um ano, mesmo depois que Powell rejeitou a ferramenta.

A Câmara dos Deputados e o Senado dos EUA estão deliberando novas respostas à crise. Autoridades da Casa Branca disseram que querem avaliar como será a rodada inicial de reabertura econômica dos Estados antes de decidir o que fazer.

Mas em seus comentários, Powell traçou uma série de incertezas que ditarão o que acontecerá -- incluindo o ritmo em que o vírus é controlado e a rapidez com que a confiança geral retorna.