Equipe econômica revisa projeção do PIB e estima contração de 4,7% em 2020

O número é do Boletim MacroFiscal, divulgado pela Secretaria de Política Econômica nesta quarta-feira (13)

Anna Russi, da CNN, em Brasília
13 de maio de 2020 às 11:08 | Atualizado 13 de maio de 2020 às 14:08
Prédio do Ministério da Economia em Brasília (3.JAN.2019)
Foto: Adriano Machado/Reuters

O ministério da Economia atualizou suas projeções para o desempenho da atividade econômica em 2020. Levando em conta os impactos da pandemia da Covid-19 no país, a nova previsão é de que o Produto Interno Bruto (PIB) caia 4,7% este ano. Caso a estimativa se concretize, essa será a maior queda da série histórica do indicador, iniciada em 1900. 

O número é do Boletim MacroFiscal, divulgado pela Secretaria de Política Econômica nesta quarta-feira (13). Até então, a pasta mantinha previsão de estabilidade da economia, com "crescimento" de 0,02%.

A projeção continua melhor do que a previsão do Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que estimam queda do de 5% e 5,3%, respectivamente. Para 2021, a expectativa da equipe econômica é de alta de 3,20% no PIB. 

A queda no desempenho da economia em 2020 acontecerá após três anos de baixo crescimento: 1,1%, em 2019 e 2018, e 1,3%, em 2017.

O custo da quarentena 

Em nota informativa sobre os impactos Econômicos da Covid-19, a equipe econômica também sinalizou os efeitos de curto prazo que o isolamento social tem provocado ao país. 

A estimativa foi feita pela pasta considerando um cenário em que a quarentena dure até 31 de maio. Segundo a nota, o custo estimado por semana de paralisação é de R$ 20 bilhões. "Porém, os custos envolvidos no isolamento devem ser muito maiores que este, uma vez que quanto mais tempo permanecermos em regime de isolamento social maior será a perda de arrecadação das empresas, e, logo maior o seu endividamento, promovendo um número crescente de falências e destruição de postos de trabalho", explica. 

Leia também:

BC vê queda forte no PIB no 1º semestre e estima retomada para o final do ano

O documento destaca ainda que os impactos da crise são diretamente relacionados à determinação do isolamento social, podendo ser decompostos em três componentes: o impacto imediato diante das restrições à produção e ao consumo; a duração do período de recuperação; e o impacto sobre a trajetória de longo-prazo da economia. "Quanto mais longo o período de isolamento, maiores serão os custos nessas três dimensões". 

A equipe econômica ainda ressalta, na nota, que os custos da crise e da paralisação são de tal magnitude que mesmo com uma recuperação rápida em “V”, e excluídos quaisquer custos de longo prazo, é impossível que o país não registre contração no desempenho da atividade econômica em 2020.