Quer ir à Disney? Veja riscos e vantagens de comprar passagens agora


Manuela Tecchio, do CNN Brasil Business. em São Paulo
18 de maio de 2020 às 13:13
Atração da Disneylândia na Califórnia

Atração da Disneylândia na Califórnia

Foto: Disneyland/ Reprodução

Quem se depara com passagens aéreas por até metade do valor em sites de viagem, pode enxergar a pechincha como uma oportunidade de finalmente “ir à Disney”. O problema é que, com o dólar atingindo máximas históricas frente ao real e o mercado de turismo em crise – com queda de 90% na demanda do setor aéreo –, quem não se planeja, pode acabar arranjando uma dor de cabeça.

Os descontos são expressivos. Em sites de agências como a CVC, é possível encontrar passagens da Latam, de São Paulo para Miami, para outubro e novembro, por exemplo, a partir de R$ 1.253 – sem as taxas de embarque. No ano passado, uma viagem com a mesma companhia, na temporada de férias escolares, custava a partir de R$ 1.785, cerca de 30% a mais.

Mas é preciso estar atento. Na opinião do especialista da Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar), Caco Santos, grandes descontos vêm sempre com um peso do outro lado da balança. “Tudo que parece uma ótima oportunidade, geralmente vem com algum risco embutido”, diz. 

No caso das viagens, o principal risco está na incerteza do cenário atual. O consultor alerta para as políticas de cancelamento e das companhias aéreas e hotéis. “A gente ainda não sabe quando vai poder viajar ou mesmo quando vai se sentir confortável para entrar em um avião de novo. Então, é preciso contar com essa flexibilidade.”

Algumas empresas de turismo, estão prestando atenção a esse fator. Desde o início da pandemia, a CVC está oferecendo a opção de remarcação dos pacotes de viagens com as mesmas condições de tarifas de quando foram adquiridas. Outra opção oferecida pela empresa é deixar o valor do pacote em crédito para utilizar futuramente.

Companhias aéreas, como a própria Latam, além de grandes redes hoteleiras também têm oferecido aos clientes a possibilidade de fazer um remarcação gratuita para o voo ou estadia, sem nenhuma cobrança de taxas ou multas, como é comum. 

Viagens domésticas no radar dos consumidores

Ainda assim, os turistas estão receosos. Pela primeira vez, os brasileiros têm preferido viagens domésticas às internacionais, conforme constatou um levantamento da CVC. “Acreditamos que até sentirem tranquilidade e segurança para viajarem novamente, os brasileiros devem dar prioridade, em um primeiro momento, às viagens nacionais. Os destinos internacionais ainda estão com baixa procura, no momento”, disse a assessoria da agência.

Nesse cenário, a queridinha dos brasileiros ainda permanece no topo do ranking das buscas. “Orlando, dentro do recorte internacional, se mantém como destino mais procurado, principalmente para viagens no final deste ano, nos meses de novembro e dezembro”, afirmou a comunicação da CVC. 

A cautela faz sentido. Para o planejador Caco Santos, outro problema que o turista precisa ter em mente é a instabilidade econômica, que atinge em cheio as companhias do setor de transporte e hotelaria. “Conheça bem a companhia e o hotel do qual você está comprando. Você confia na saúde financeira dessa empresa? Parece exagero, mas o setor de turismo está sendo muito afetado”, explica.

Uma dica do consultor é optar por grandes redes nesse momento de volatilidade, mas vale lembrar que isso não elimina o risco. Uma das gigantes do setor aéreo, a Avianca Holdings, entrou com pedido de recuperação judicial nesta semana. Se não conseguir sair do processo, a Avianca pode ser a primeira grande companhia aérea do mundo a afundar por causa da pandemia de coronaírus.

Se mesmo assim você estiver decidido a comprar agora, para aproveitar os preços, e viajar só lá na frente, talvez o melhor momento seja mesmo agora. De acordo com uma projeção da Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata) publicada nesta semana, o valor das passagens aéreas pode subir em até 50% quando se encerrarem as medidas de isolamento social adotadas por governos em todo o mundo.

Apesar de suas baixas expectativas para a retomada da demanda — que, de acordo com a associação, só deverá recuperar o patamar do ano passado em 2024 —, a Iata ressalta que medidas sanitárias exigidas pelas autoridades vão ser as responsáveis por encarecer as passagens. Entre os cuidados exigidos por entidades de saneamento, a obrigatoriedade de intercalar uma fileira livre entre as poltronas ocupadas vai reduzir drasticamente a ocupação dos voos.

Por isso, é preciso planejar bem. O consultor da Planejar explica que o ideal é sempre estar com tudo pago antes de fazer as malas. Tudo mesmo. Além de passagens e estadia quitadas, é importante ter o valor dos gastos estimados com alimentação, transporte local e até com as compras já reservado na moeda do país, sempre contando com uma “gordurinha” para imprevistos. 

“Usar o cartão de crédito pode criar problemas, porque você perde a noção do quanto está gastando. Quando você tem um limite, seja na carteira ou no cartão pré-pago, você consegue gerenciar melhor.”

Planejar é a solução

Frente às oscilações da moeda americana e à imprevisibilidade do câmbio, o planejador orienta os viajantes a formar sua reserva de forma parcelada. “O ideal é guardar US$ 100 por mês, na taxa em que ele estiver.”

Para fazer isso, ele indica duas formas: uma é ir comprando dólares mensalmente na casa de câmbio — que tem a desvantagem do custo de operação. A outra, é o investimento nos fundos cambiais, que oferecem valores iniciais bem baixos. A escolha vai depender do quanto é preciso juntar. 

Quando os valores são relativamente baixos, com “mensalidades” de até US$ 300, é melhor aplicar no fundo de investimento. Se as “parcelas” ficarem acima dos US$ 500, o melhor caminho pode ser a transação mensal na casa de câmbio, sempre tomando cuidado para guardar o valor num lugar seguro. 

A hora certa para começar a planejar? O mais cedo possível. “Só pra viagem dos sonhos acabar não virando um pesadelo”, diz o consultor.

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