Família controladora da Gol não tem 'alergia' à participação do BNDES, diz CEO


Do CNN Brasil Business, em São Paulo
20 de Maio de 2020 às 22:40 | Atualizado 20 de Maio de 2020 às 22:49

A família Constantino, acionista controladora da companhia Gol Linhas Aéreas, pode dar a sua parte no investimento que deve ser feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) no pacote de ajuda ao setor. Mas também não há uma “alergia” à participação estatal, segundo Paulo Kakinoff, presidente da empresa, para o programa CNN Líderes. A intenção da família, no entanto, seria não ter a sua posição muito diluída.

O banco estatal deve direcionar investimentos de R$ 6 bilhões para as três maiores companhias aéreas em operação no Brasil (Gol, Latam e Azul), sendo R$ 2 bilhões para cada uma.

“É um ponto em aberto. Ela poderia participar com o mercado desse investimento, mas também não há uma alergia dos controladores a esse tema (participação societária do BNDES)”, diz Paulo Kakinoff, presidente da Gol, para o programa CNN Líderes.

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Caso o investimento do BNDES seja confirmado, o banco poderia chegar a ter uma participação de 25% no capital da empresa. O empréstimo do banco seria realizado por meio de 75% em dívida e 25% em subscrição de ações.

O setor aéreo como um todo foi um dos que mais sofreram com o avanço da pandemia do novo coronavírus. Cerca de 90% dos voos chegaram a ser cancelados nos últimos dois meses. Consequentemente, as ações das companhias sofreram um baque.

De janeiro até a quarta-feira (20), os papéis da Gol despencaram 65% enquanto os da Azul tiveram retração de 73%. A Latam, que tem ações negociadas na bolsa chilena, caíram 72%.

Agora, com a reabertura de algumas economias, as companhias tentam voltar a operar. Mas sofrem com a pressão de governos e da própria sociedade para que os voos não se tornem focos de transmissão da Covid-19. Por isso, muitos defendem que os assentos do meio não sejam comercializados. Para Kakinoff, não é possível discutir essa possibilidade.

“É um ponto quase pacificado que o bloqueio do assento do meio inviabiliza a operação”, diz Kakinoff. “Mas estamos adotando protocolos de segurança e de sanitização para que o risco de contaminação seja reduzido.”

Confira a entrevista completa em vídeo ou por meio do podcast abaixo.

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