Não dá para dizer que a indústria chegou ao fundo do poço, diz economista da CNI

O índice que acompanha os postos de trabalho no setor também caiu abaixo de 50 pontos, para 38,2 pontos, pela primeira vez em toda série histórica

Thais Herédia
Por Thais Herédia, CNN  
20 de maio de 2020 às 20:07

A indústria brasileira enfrenta seu pior momento desde a estabilização da moeda, há mais de 25 anos, em consequência da pandemia do novo coronavírus que paralisou a atividade econômica. O acompanhamento feito pela Confederação Nacional da Indústria revela um quadro desastroso para o setor que responde por mais de 15% do PIB e pelo emprego de melhor qualificação. 
 
Em abril, foi inédito o recuo dos indicadores da Sondagem Industrial da CNI. O índice de evolução industrial registrou 26 pontos, sendo que valores menores que 50 indicam queda na produção. 
 
A utilização da capacidade instalada alcançou patamares nunca vistos no país, chegando a 49% no mês passado. Operando com metade de sua estrutura, a indústria não conseguiu manter empregos e o índice que acompanha os postos de trabalho no setor também caiu abaixo de 50 pontos, para 38,2 pontos, pela primeira vez em toda série histórica que começou em 2011. 
 
Ainda não é possível saber se a atividade industrial bateu no fundo do poço em abril, o que deveria ser o pior mês esperado para os efeitos da pandemia. Maio pode ter sido, no máximo, “menos negativo” como disse ao CNN Brasil Business, Marcelo Azevedo, economista da CNI.  

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“Muito difícil prever, pois essa crise é móvel e muito diferente do que estávamos acostumados. Foi tudo muito rápido. Há setores com dados menos negativos ou pouco positivos, como farmacêuticos e alimentos. Agora, para móveis, calçados e vestuário o golpe muito forte. Talvez o correto seja dizer um cenário menos negativo em maio, mas ainda muito longe do que estávamos antes da crise”, explica Azevedo. 
 
Entre o crédito, o deferimento de impostos e os programas de manutenção para o emprego, como soluções para recuperação da indústria, Azevedo escolhe uma combinação dos três. Mas é o crédito que mais preocupa agora. 
 
“O mais preocupante agora é o crédito. O diagnóstico está correto, há um esforço de oferecer crédito para empresas e famílias, mas as mais vulneráveis não estão recebendo como deveria e elas empregam bastante. Isso seria fundamental para garantir uma recuperação mais forte e uma renda para as famílias dos empregados”, alerta o economista da CNI.

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