Inadimplência cresce e atinge 66,5% das famílias; descubra 5 opções de crédito


Matheus Prado Do CNN Brasil Business, em São Paulo
21 de maio de 2020 às 13:55 | Atualizado 21 de maio de 2020 às 15:52
crédito

10,6% das famílias declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso em maio

Foto: William Iven/Unsplash

Famílias de todo o mundo vem enfrentando, com mais dureza que o normal, problemas financeiros em decorrência da crise catapultada pelo novo coronavírus. No Brasil, a história se repete. Além dos 13 milhões de desempregados que se tem notícia, os níveis de endividamento e inadimplência não param de subir a patamares históricos.  

A Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic Nacional), realizada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostra que o percentual de famílias brasileiras que relataram ter dívidas alcançou 66,5% em maio de 2020. O número representa um aumento de 3,1 pontos percentuais em relação aos 63,4% registrados no mesmo mês de 2019.

O cartão de crédito permanece sendo o grande vilão das finanças familiares no Brasil, onerando 76,7% dos 18 mil entrevistados. Em seguida vêm os carnês, atingindo 18% dos lares brasileiros em maio. Em terceiro aparecem os financiamentos de veículos, com 11,1%, seguidos dos financiamentos de casa, com 9,4%, e do crédito pessoal, com 8,7%.

Para piorar, das famílias com contas em aberto, 10,6% declararam em maio não ter condições de pagar seus débitos ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes. O indicador havia alcançado 9,5% no mesmo período do ano passado. Durante a pandemia do novo coronavírus, o governo até liberou recursos para os bancos emprestarem a pessoas físicas e jurídicas, mas parte do dinheiro ficou “empoçada”.

Isso quer dizer que as pessoas e empresas não foram lá buscar esse recurso disponível. Cesar Caselani, professor de finanças da FGV EAESP, explica o problema. “Os bancos estão com os recursos, mas não estão conseguindo emprestar. As instituições se mostram resistentes a baixar a taxa de juros porque existe um enorme risco de inadimplência”, argumenta.

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Para tomar as decisões corretas, a planejadora financeira CFP pela Planejar, Eliane Tanabe incentiva a população endividada a colocar todos os seus compromissos numa planilha para determinar prioridades. “É preciso listar todas as dívidas para entender sua real situação. Todas contas em aberto devem contar com o máximo de informação e detalhamento possíveis, para entender as prioridades”, diz. 

Pensando em alternativas para superar este momento, o CNN Brasil Business procurou especialistas para listar e explicar opções de crédito. Confira abaixo: 

1- Crédito Pessoal

Esse é o mais elementar dos créditos, com interlocução direta entre tomador da dívida e a instituição financeira. O dinheiro não está atrelado a nenhuma compra ou pagamento, podendo ser utilizado da maneira que a pessoa bem entender. Em março, as taxas de juros para a categoria estavam na faixa de 94,7% ao ano.

Em relação a isso, Caselani faz um alerta. “Já é um princípio da área de finanças não consumir compulsivamente. Se ainda assim o sujeito não se der conta, a vida ficará muito complicada. Pode até chegar num ponto em que não vai conseguir mais crédito”, argumenta. “Com a economia em ordem, as pessoas ficam mais saudáveis.”  

2- Crédito Consignado

A opção consignada é destinada a pensionistas do INSS ou funcionários registrados em regime CLT. Por isso, os valores dos juros são cobrados por meio de desconto na folha de pagamento ou aposentadoria, não podendo ultrapassar 30% do valor total dos rendimentos. Por ter um nível de segurança consideravelmente maior, suas taxas de juros são proporcionalmente menores. Em março, esse valor era de 32,6% ao ano.

“O crédito consignado é atraente por ter taxa de juros menor, mas pode onerar diretamente a receita da família”, pondera Eliane. “É preciso pensar por quanto tempo aquela dívida vai pesar no orçamento familiar e requisitar o mínimo dinheiro possível, só para o que for emergencial.”

Ao tomar um empréstimo consignado, o ideal é colocar na ponta do lápis o valor que será descontado do salário. Isso porque, ao tomar o crédito,muitos continuam contando com o salário integral e se esquecem do pagamento do empréstimo. No longo prazo, a falta de planejamento pode virar uma bola de neve para as finanças domésticas.

Ainda no campo dos vencimentos, também é possível adiantar parcela do 13º salário ou restituição do imposto de renda. 

3- Crédito Consolidado

Um tópico comum nesta discussão é, quando da impossibilidade de cumprir os compromissos previamente estabelecidos, tentar renegociar dívidas (valores, prazos, taxas). O crédito consolidado é um instrumento bancário que permite agrupar vários créditos devedores estabelecendo prazo e taxas unificados.

Caselani argumenta que isso deve ser uma motivação constante para aqueles que buscam tomar e pagar empréstimos. “Quando você assume a dívida, tem um contrato. Apesar disso, deve sempre procurar o juro menor, mesmo que tenha condições de pagar o acordo inicial”, diz. Para conseguir a portabilidade, é preciso encontrar outra instituição que aceite praticar taxas menores. 

4- Rotativo do cartão

Como vimos nos dados acima, essa modalidade continua sendo o grande pesadelo da família brasileira. Trata-se daquela opção que permite não pagar o valor cheio das faturas do cartão de crédito e do cheque especial, como se fosse um empréstimo de emergência.

Por conta das taxas de juros altíssimas, devem ser utilizados apenas em situações específicas e em janelas de curtíssimo prazo. Em março de 2020, por exemplo, o juro médio do rotativo do cartão subiu para 326% ao ano.

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“O crédito imediato é o mais arriscado para as instituições porque carrega um grande risco de inadimplência”, explica Eliane. “Por isso, as taxas de juros são avassaladoras, então não é um sistema voltado para o médio e longo prazo. As pessoas se equivocam porque o dinheiro está lá disponível todos os dias, mas ele só deve ser utilizado em situações de emergência e com possibilidade de devolução daquele recurso em poucos dias.”

Caso tenha que aderir a essa modalidade, a recomendação é organizar um planejamento financeiro para se livrar da dívida o quanto antes. 

5- Empréstimo com garantia

Para quem já possui bens, como casa, carro ou, até mesmo, jóias, é possível aderir a modalidade conhecida como empréstimo com garantia. Nessa opção, o proprietário coloca o bem como garantia para tomar o crédito, fazendo com que as taxas de juros sejam mais baixas que modalidades como o empréstimo pessoal, por exemplo. Isso ocorre, pois o risco de inadimplência para a instituição financeira é menor. 

Fintechs como a Creditas têm se destacado na categoria. “Estas opções oferecem taxas de juros mais baixas, pois um imóvel ou automóvel podem servir de garantia”, explica Cesar. “Mas, se durante este momento de crise, a família precisar vender algum desses ativos, a garantia deixa de existir e não é possível aderir a essa modalidade.”

Outro ponto de atenção para essa modalidade é em relação à alienação fiduciária. Ao colocar o bem como garantia, o item fica alienado à instituição, mas com posse e uso garantidos ao proprietário. Em caso de inadimplência, o bem poderá ser tomado pela instituição.

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