Guedes e Novaes defendem privatização do BB; “só em 2023”, diz Bolsonaro


Do CNN Business, em São Paulo
22 de maio de 2020 às 19:06 | Atualizado 22 de maio de 2020 às 21:15
Logo do Banco do Brasil; BB Seguridade
Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Em trechos do vídeo de reunião ministerial do presidente Jair Bolsonaro divulgado nesta sexta-feira (22), o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, argumentam a favor da privatização do BB. “Isso aí só se discute, só se fala em ‘23’, tá?”, responde Bolsonaro. 

Os diálogos fazem parte de reunião do presidente com seus ministros e membros de sua equipe realizada pouco antes da saída do ministro Sérgio Moro, divulgados na íntegra após decisão do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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“O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização”, disse Guedes, de acordo com transcrição oficial da íntegra feita pela Polícia Federal. “O Banco do Brasil não é tatu nem cobra. Porque ele não é privado, nem público. Se for apertar o Rubem [Novaes], coitado, ele é superliberal, mas se apertar e falar: ‘bota o juro baixo’, ele: ‘não posso, senão a turma, os privados, meus minoritários, me apertam’. Aí se falar: ‘bota o juro alto’, ele: ‘não posso, porque aí o governo me aperta’.

"É um caso pronto e a gente não está dando esse passo", continua Guedes. "O senhor já notou que, no BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] e na Caixa, que são nossos, públicos, a gente faz o que a gente quer? Banco do Brasil a gente não consegue fazer nada, e tem um liberal lá. Então tem que vender essa porra logo.”

Diferentemente do BNDES e da Caixa, que são fechados, o Banco do Brasil, apesar do controle estatal, tem capital aberto e parte de suas ações está listada na bolsa de valores.

“Em relação à privatização, eu acho que fica claro que com o BNDES cuidando do desenvolvimento e com a Caixa cuidando da área social, o Banco do Brasil estaria pronto para um programa de privatização, né?”, acrescenta Novaes. Bolsonaro, então, comenta: “Isso aí só se discute, só se fala isso em vinte e três, tá?” O atual mandato presidencial se encerra em 2022.

Em sua fala, Novaes mencionou as facilidades que o BB já teve no passado por ser estatal, mas que o cenário hoje é diferente. Ele mencionou o fato de que folhas de pagamento e depósitos judiciais, que eram feitos automaticamente pelo BB ou a Caixa, são atualmente definidos por processos de concorrência aberta entre os bancos. 

“O Banco do Brasil, no passado, teve muitos privilégios pelo fato de ser público”, afirmou Novaes, “Nós temos que pagar muito caro por esses antigos privilégios (...). Fica só o lado ruim de ser estatal. Quer dizer, a gente não tem a mesma facilidade de contratação, a gente não tem a mesma facilidade de demissão de maus funcionários, tudo tem que submeter ao governo, tem o Tribunal de Contas travando tudo, não é? Tribunal de Contas é hoje em dia uma usina de terror. Se a gente faz alguma coisa tá arriscado a ir pra cadeia. Se não faz, é processado por inação, não é?”, continuou o presidente do BB.