Novavax anuncia testes de vacina contra Covid-19 em humanos; ações disparam

Empresas que anunciam resultados positivos em pesquisas de medicamentos contra o novo coronavírus passam a subir na bolsa norte-americana

Do CNN Brasil Business, em São Paulo
26 de maio de 2020 às 10:20 | Atualizado 26 de maio de 2020 às 11:11
Vacina contra coronavírus não deve ficar pronta antes do fim de 2021
Especialista diz que vacina contra o novo coronavírus não deve ficar pronta antes do fim de 2021
Foto: Valentyn Ogirenko - 14.ago.2019/Reuters

A empresa de biotecnologia norte-americana Novavax, especializada no desenvolvimento de vacinas, anunciou na segunda-feira (25) que começará a realizar testes de vacina contra a Covid-19 em humanos. Animado com a possibilidade de uma cura para o vírus, o mercado reagiu prontamente e as ações da empresa chegaram a disparar 20% no pré-mercado da Nasdaq, em Nova York. Já na abertura do mercado norte-americano, os papéis da companhia subiam mais de 15%. 

Esse tipo de reação do mercado tem sido algo comum durante os tempos de pandemia do novo coronavírus. Empresas como Vaxart, Moderna e Pfizer também conseguiram valorização meteórica de seus papéis após avançar na pesquisa de uma possível cura.

A primeira etapa de testes da vacina NVX-CoV2373 será na Austrália, com 130 pessoas saudáveis entre 18 e 59 anos. Os resultados preliminares, que julgarão a segurança e a capacidade do remédio em despertar respostas imunológicas nos pacientes, são esperados para julho. Caso os resultados sejam promissores, a empresa iniciará uma nova bateria de avaliações.

Neste segundo momento, será feito um processo mais amplo, em diversos países e com uma abrangência de idade maior entre os participantes. Os pesquisadores analisarão, além dos aspectos já referenciados, a eficácia ou não da vacina para reduzir os impactos da Covid-19 no corpo humano.

O estudo está sendo patrocinado pela Coalizão de Inovações em Preparação para Epidemia (Cepi), que já investiu US$ 388 milhões no processo. CEO da entidade, Dr. Richard Hatchett diz que “vacinas são nossa melhor chance de derrotar essa pandemia permanentemente, e por isso é animador ver o rápido progresso no desenvolvimento do produto da Novavax”.

Corrida pela cura

A Vaxart, outra empresa do ramo, já havia causado frisson no mercado na última semana ao anunciar que conseguiu resultados positivos em testes para uma possível vacina contra o novo coronavírus. Esperançosos, investidores correram para apostar na companhia e as ações saltaram mais de 30% naquele dia.

Depois da disparada, em movimento de ajuste, os papéis fecharam em queda no dia seguinte. Mesmo com a diminuição do ímpeto dos investidores, as ações da empresa acumulam alta de mais de 500% no índice Nasdaq, que reúne as principais empresas de tecnologia na Bolsa de Nova York. 

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A solução apresentada pela companhia é baseada em um comprimido, que deve ser ingerido à temperatura ambiente, e que representaria uma vantagem em relação a soluções injetáveis.

Outra farmacêutica a entra no páreo foi a Moderna, que informou no último dia 18 que sua vacina experimental contra a Covid-19 mostrou resultados promissores. Em relatório, a empresa afirmou o potencial da vacina em um estudo de estágio inicial, já que produziu anticorpos neutralizadores do vírus semelhantes àqueles encontrados em pacientes recuperados. Com o resultado, o preço das ações da empresa dispararam em 25%.

A vacina da empresa está na vanguarda dos esforços de desenvolvimento de um tratamento para o vírus de disseminação veloz, e na semana passada recebeu o selo de "aprovação rápida" da agência de saúde dos Estados Unidos para que a revisão regulatória seja acelerada. A Moderna espera iniciar um estudo de estágio final mais amplo em julho.

Atualmente, não existem tratamentos ou vacinas aprovados para a Covid-19, causada pelo novo coronavírus, e especialistas preveem que uma vacina segura e eficiente pode demorar entre 12 e 18 meses.

Oito pacientes que receberam a vacina da Moderna mostraram níveis de anticorpos semelhantes àqueles de amostras de sangue de pessoas que se recuperaram da Covid-19, de acordo com resultados iniciais do estudo realizado pelo Instituto Nacional de Saúde dos EUA.

Todos os 45 participantes do estudo receberam três doses diferentes da vacina, e a Moderna disse que viu um aumento de dependência da dose na imunogenicidade, a capacidade de provocar uma reação imune no corpo.

"Estamos investindo para intensificar a fabricação para que possamos maximizar o número de doses que conseguimos produzir para ajudar a proteger tantas pessoas quanto pudermos da SARS-CoV-2", disse o executivo-chefe da Moderna, Stéphane Bancel.

A empresa assinou contratos com a farmacêutica suíça Lonza Group AG e com o governo dos EUA para produzir em grande quantidade a vacina. Também se descobriu que a vacina mRNA-1273 foi geralmente segura e bem tolerada no estudo de estágio inicial, disse a empresa.

Um participante do teste teve vermelhidão no local da injeção, o que foi caracterizado como um efeito de "grau 3". Não foi relatado nenhum efeito colateral grave, segundo a empresa. As ações da Moderna subiram 240% no período anual, encerrado no fechamento do pregão do último dia 15.

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