Luciano Hang, da Havan: ascensão e polêmicas do empresário


Paula Bezerra e Luísa Melo, do CNN Brasil Business, em São Paulo
27 de maio de 2020 às 10:37 | Atualizado 27 de maio de 2020 às 17:38
 Luciano Hang, dono Havan.

Foto de perfil em redes sociais do empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan.

Foto: Reprodução/Facebook

O fundador e presidente da rede varejista Havan, Luciano Hang, é um dos alvos da investigação de uma nova operação da Polícia Federal. A PF cumpre mandados de busca e apreensão no âmbito do inquérito que apura a divulgação de notícias falsas, conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e, na manhã desta quarta-feira (27), Hang entregou aparelhos como celular e notebook para serem periciados pela polícia. 

Procurada, as assessorias de imprensa da Havan e do empresário afirmaram que Hang se posicionaria pelas redes sociais. Em live realizada em seu perfil no Facebook, o empresário disse que jamais atentou contra os membros do STF ou contra a instituição.

“Nada tenho a esconder, haja vista que o que eu falo está nas minhas redes sociais, é de conhecimento público”, disse. “Meu computador pessoal e, inclusive, meu celular foram disponibilizados para perícia, o que ficará comprovado no decorrer do inquérito”, completou, durante a transmissão, enquanto respondia perguntas do público. 

Nascido em Brusque,em Santa Catarina, em 1962, Hang é tecnólogo em Processamento de Dados pela Universidade Regional de Blumenau. Mas, apesar da formação, o empresário seguiu a tradição empreendedora da família e, em 1986, fundou a marca Havan. 

Assista e leia também:
O Grande Debate: A ação da Polícia Federal em inquérito das fake news no STF
Havan começa a vender arroz e feijão para 'driblar' quarentena

“Se olhar a trajetória da Havan nos últimos anos, é impressionante analisar o que a rede conseguiu conquistar”, afirma Alberto Serrentino, consultor de varejo e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo. Segundo o especialista, a rede desenvolveu uma estratégia de crescer em mercados menos ofertados e chamados secundários – longe das grandes capitais. 

Da região Sul do país, passou a migrar para cidades do interior – sempre tendo como foco se espalhar em locais como entroncamentos e áreas de rodovias, assim como lugares mais afastados do centro. “Dessa forma, a rede conseguiu não só atrair clientes da cidade onde suas lojas estão situadas, mas dos municípios vizinhos – ampliando, assim, a influência da loja”, diz Serrentino. 

Ainda segundo o especialista, a rede contou com uma equação de custo baixo de operação e mão de obra mais barata. O resultado da conta foi a possibilidade de expansão para outras regiões do país. Atualmente, a Havan conta com 145 lojas, em 17 estados. Nesta semana, planeja inagurar uma nova unidade em Gravataí, no Rio Grande do Sul. 

Seu portfólio de produtos conta com mais de 100 mil itens, que vão de eletrônicos a artigos de cama e banho. Neste ano, porém, para driblar a crise do coronavírus e o isolamento social, a Havan passou a comercializar também alimentos, como arroz e feijão. Segundo a companhia, seu centro de distribuição movimenta mais de 1 milhão de itens por dia.

A empresa chama atenção por ter uma estátua da liberdade, um de seus grandes símbolos, em frente às unidades –  uma delas, localizada na chamada Parada Havan, em Barra Velha (SC), tem 57 metros de altura e, de acordo com o grupo, é considerada "o maior monumento do Brasil". 

Em 2019, a rede varejista ocupou o 13º lugar no ranking “Os 50 Maiores Grupos Varejistas”, realizado anualmente pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, à frente de marcas como Dia e Makro. Por não ter capital aberto, a empresa não divulga valores de sua operação e faturamento. 


Luciano Hang e polêmicas 

Excêntrico, Luciano Hang ganhou maior projeção durante a campanha presidencial de 2018. Ele integra o Instituto Brasil 200, grupo de empresários que apoiou Jair Bolsonaro durante a corrida presidencial. Às vésperas da eleição, ficou na mira da Justiça do Trabalho por ter supostamente coagido seus funcionários a votarem no então candidato

Hang abraçou o movimento anticorrupção e passou a usar as cores da bandeira brasileira como estratégia de marketing. É comum ele dar entrevistas e comparecer a eventos públicos vestido com um terno verde e uma gravata amarela. O personagem ganhou da internet o apelido de "véio da Havan", alcunha que o próprio Hang adotou ao se comunicar nas redes sociais.

Ainda no âmbito do combate à corrupção, o empresário postou homenagem a Sergio Moro depois que o ex-juiz se demitiu do Ministério da Justiça, mas não desembarcou do governo. 

Recentemente, foi condenado a pagar indenização de cerca de R$ 21 mil por atacar o reitor da Universidade de Campinas, Marcelo Knobel, com "fake news". Ele postou no Twitter que o reitor teria gritado "Viva la Revolução" durante uma formatura, o que não aconteceu. A decisão cabe recurso.

No fim ano passado, foi processado por danos morais pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por pagar para que um avião sobrevoasse praias de Santa Catarina puxando uma faixa com os dizeres: "Lula cachaceiro devolve meu dinheiro."

Sobre os demais casos, assessoria de imprensa foi consultada pelo CNN Brasil Business, mas ainda não se manifestou.

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook