Nenhum setor sobreviverá na crise sem investir em tecnologia, diz economista

José Roberto Mendonça aposta em reinvenção dos setores para sair da recessão causada pela pandemia de coronavírus

Da CNN, em São Paulo
29 de maio de 2020 às 21:39 | Atualizado 29 de maio de 2020 às 21:50

O economista José Roberto Mendonça de Barros falou sobre os reflexos da pandemia na economia brasileira, durante entrevista à CNN, nesta sexta-feira (29). Ele aposta em um período de inovação, onde empresas terão que se adaptar às vendas online, aos consumidores mais criteriosos e principalmente, no uso da tecnologia como a principal ferramenta para se reinventar. 

A mudança nos setores será evidente pós pandemia, de acordo com o economista, mas, destaca que o período que vivemos pode ser considerado como uma revolução, uma vez que empresas e consumidores se transformaram completamente.

“Os escritórios nunca mais serão os mesmos, 100% das empresas vão misturar home office com presencial. Tudo que é a distância vai crescer, com aumento de vendas pela internet, ou se reinventa ou vai sair no ar, será uma pequena revolução, isso é muito positivo. O mais importante é que nenhum setor vai sobreviver se não incluir no seu dia a dia melhorar a tecnologia”.

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Mendonça comentou a mudança de comportamento nos consumidores, que, ao comprar online passam a ser mais criteriosos. 

“Como consumidores também irão mudar, terá menos fidelidade de marca, as pessoas irão começar a procurar mais. A mudança no mundo dos negócios, mundo do consumo, será desafiante. Aconteceram coisas maravilhosas de inovação em meio a esse sufoco. Muitas inovações aconteceram, mostra que temos potencial, se cuidassem melhor da educação e se tivermos mais concorrência e menos incentivo fiscal a gente poderia melhorar muito”. 

O economista fez um destaque aos setores que não pararam em meio à crise no Brasil. 

“Uma parte do Brasil não caiu, o agronegócio foi muito rápido para continuar a colher, processar e proteger seus trabalhadores, está indo tão bem que estamos com exportações agrícolas recordes. Também o setor de logística rapidamente se adaptou. Não parou o setor financeiro, já existe o home banking antes do home office, com Zoom e esses novos aplicativos, está todo mundo trabalhando. Tem parte do comercio ligado às necessidades básicas da população que continua funcionando. Uma parte da indústria química que produz produtos de higiene está funcionando, assim como na saúde aumentou o emprego”. 

“Tombo pode ser maior no segundo semestre”

O economista enfatizou que as consequências da crise causada pela pandemia serão sentidas no segundo semestre. 

“As pessoas estão vivendo uma experiencia pessoal muito complicada, ficando em casa, com receio. Com certeza é no segundo semestre que vai acontecer o tombo maior, vai ser muito duro esse semestre, e a parada das fábricas e companhias aéreas será sentida, depois volta cautelosamente, mas as pessoas não serão as mesmas”. 

Apesar do otimismo em relação aos setores que não pararam durante a crise, o economista destacou que há um lado da economia afetado, e que a reconstrução pode demorar. 

“O problema é que a parte que fechou é muito maior que a área que está trabalhando. Restaurantes, a parte criativa, viagens, turismo, muitas fábricas, essa parte é muito maior que aquela que está bravamente conseguindo trabalhar, por isso estamos afundando numa recessão. Muita empresa vai deixar de funcionar, vai ser diferente, vão mudar valores, vai existir a cautela e temos uma penosa reconstrução, o que falta é a governança”. 

“Só vamos ver em agosto o efeito conjunto de três vetores, a expansão da pandemia, a expansão do desemprego e o número de empresas que irá sair do mercado, isso que vai gerar uma recessão”, finalizou Mendonça.