Ibovespa tem 9 ações valendo mais agora que antes da crise; veja a lista


Juliana Elias, do CNN Brasil Business, em São Paulo
03 de junho de 2020 às 12:08 | Atualizado 03 de junho de 2020 às 13:34
Bolsa de SP abriu estável

Levantamento feito pela consultoria Economatica mostrou que, das 75 ações que compõem o Ibovespa, há nove que estão no positivo

Foto: Nacho Doce/REUTERS (21.03.2019)

Apesar de ter tido meses bastante positivos em abril e maio, a bolsa brasileira ainda tem muito para subir até recuperar os patamares que tinha no começo do ano, antes de a pandemia do novo coronavírus causar um dos piores choques em duas décadas, em março.

O Ibovespa, índice que reúne as maiores empresas listadas na bolsa, ainda está cerca de 25% abaixo da pontuação com que começou 2020. No pior momento, em meados de março, a queda chegou a ser de 45%, tendo sido recuperada em parte até aqui.

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Há, entretanto, um punhado de empresas que não só já conseguiram zerar as perdas do ano, como também estão valendo mais agora, em plena pandemia, do que antes. Levantamento feito pela consultoria Economatica a pedido do CNN Business mostrou que, das 75 ações que compõem o Ibovespa, há 9 que estão no positivo, considerada a variação em 2020 até o fechamento de maio. 

É um grupo seleto e com recortes em comum bastante claros: todas estão expostas ou a atividades ligadas ao comércio eletrônico, ou a exportação e ao câmbio, que também teve uma forte valorização no ano. A lista é liderada pela B2W, grupo de e-commerce dono da Americanas.com, do Submarino e do Shoptime: as ações dela já estão, hoje, valendo 46% mais que no início de 2020. São seguidas pela Magazine Luiza, outra rede de varejo também com atuação forte nos canais digitais e que já subiu 35% no ano. 

Os frigoríficos Marfrig (31%) e Minerva (4%), a fabricante de máquinas Weg (21%) e a fabricante de papel e celulose Klabin (7%) são outras na lista (veja a tabela completa com o desempenho de todas as ações do Ibovespa mais abaixo).

A única empresa em alta em 2020 e que não está em nenhuma das duas grandes categorias (e-commerce e exportadoras) é a B3, a dona da bolsa de valores brasileira. Ela já se beneficiava de ter o monopólio das operações do mercado de capitais do país e ganhou com o aumento das movimentações em meio à correria de investidores causada pela pandemia– as ações da B3 têm alta de quase 9% no ano. 

“Não são só empresas em setores que se beneficiariam, ou sofreram menos”, disse a analista da Terra Investimentos Sandra Peres. “São empresas que mostram ótima gestão, que têm baixa alavancagem, melhor perfil de dívida e estão com caixa confortável para passar por esse momento.”

A mineradora Vale, que tinha queda de 0,6% ao fim de maio, é a próxima da fila na lista de ações que já conseguiram zerar as perdas da pandemia. É seguida pela rede de farmácias RaiaDrogasil (-1,8%) e o Grupo Natura (-3,8%).

Na outra ponta, a resseguradora IRB Brasil, que já vinha tendo a contabildiade contestada, lidera as quedas, com perda de valor de 79% desde o início do ano. É seguida pelas companhias ligadas a aviação e turismo - Embraer, CVC Brasil, Gol e Azul -, todas com desvalorizações ainda superiores a 60%.

Exportadoras em alta

É a maior ou menor solidez dos dados financeiros que diferenciam, por exemplo, a Marfrig e a Minerva, que estão em alta, das outras duas grandes exportadoras de carnes da bolsa: a JBS, que ainda acumula perda de 13%, e a BRF, com queda de 34%. 

O setor como um todo, explica Peres, da Terra Investimentos, já vinha ganhando mercado global com a crise de gripes suína e aviária na produção chinesa e as queimadas que afetaram a Austrália, outro grande produtor. O empurrão do câmbio, neste ano, ajudou a elevar a receita ainda mais. “Mas a Marfrig e a Minerva reduziram muito seu endividamento nos últimos anos”, diz a analista. 

Negócios resilientes

No caso da Klabin, além do impulso do dólar, tem pesado para sua valorização a leitura dos investidores de que ela tem a ganhar também no mercado interno: “um dos principais produtos dela são embalagens, o que são um produto bastante resiliente neste momento, com o aumento nas vendas de supermercados, deliveries e e-commerces”, disse Peres.

É também estar exposta a um setor que tem receita bastante constante que ajudou a transformar a fabricante de máquinas e equipamentos industriais Weg na queridinha da bolsa brasileira em 2020. “Ela tem uma saúde financeira superconfortável e tem a segurança de fornecer equipamentos para o setor elétrico, que é tem uma receita bastante constante”, disse a analista da Terra.

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Ainda vale investir nelas?

O fato de essas ações terem tido saltos expressivos no preço, mesmo em meio a uma das piores crises econômicas globais da história, pode fazer parecer com que estejam caras, e que as melhores oportunidades, portanto, estão entre aquelas que ainda estão em desconto. 

A recuperação rápida dos preços, entretanto, já é um termômetro da qualidade delas, e a decisão de ainda investir nestes papéis agora ou não vai variar caso a caso. 

Magazine Luiza, Via Varejo e Lojas Americanas, por exemplo, são empresas que continuam entre as recomendações de diversos analistas, mesmo com as disparadas recentes. O entendimento é que, mesmo que elas tenham queda de receita ou lucro ao longo deste ano, por conta das lojas físicas, todas têm operações digitais que estão ajudando a segurar o baque e que devem sair ainda mais fortalecidas depois. 

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Já a B2W, a que mais subiu delas, pode ter ficado cara demais, o que significa que não em mais muito espaço para crescer ou pode até cair um pouco para se ajustar em algum momento. 

No caso dos frigoríficos, Peres, da Terra Investimentos, acredita que todas as empresas ainda têm a crescer e se valorizar com as reconfigurações globais ainda em curso no mercado. Acredita, entretanto, que, pelo desconto, a JBS pode ser uma opção melhor do que Marfrig ou Minerva, que já estão na frente na corrida da recuperação. “É um setor ainda favorável, mas vale a pena fazer o investimento no ativo que ainda não está respondendo e está mais descontado”, disse. 

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