Economistas avaliam papel do investimento público em retomada da economia

Nelson Marconi, professor da FGV, e Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda também debateram pagamento de renda básica universal

Da CNN, em São Paulo
13 de junho de 2020 às 17:25

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o impacto econômico da crise do novo coronavírus vai gerar um recuo de 5,3% na economia Brasileira. Para entender a retomada da economia no momento pós-pandemia, a CNN convidou os economistas Nelson Marconi, professor da FGV e Maílson da Nóbrega, ex-ministro da fazenda no governo de José Sarney.

O professor Nelson Marconi avalia que a retomada dos negócios será difícil, e que esta primeira flexibilização, gradual, com a abertura dos shoppings e comércio, ainda não vai melhorar o cenário. “Isso [a abertura] provavelmente vai intensificar o avanço da pandemia porque a gente ainda está com o índice de transmissão muito alto. As pessoas vão se retrair, vão ter mais pessoas doentes, e, de novo, nós vamos ter que ter um retorno a situação anterior”, avalia.

Ele defende como única saída para que o Brasil cresça economicamente, uma uma retomada do investimento público. Maílson da Nóbrega explica que a retomada do setor privado não vai garantir, agora, a recuperação plena da economia.

"As pessoas não vão sair no pós-pandemia lotando os restaurantes, os estádios de futebol, os cinemas, os teatros, começando a viajar como viajavam antes. Haverá uma certa prudência nas famílias, nas pessoas porque não haverá ainda a vacina. Provavelmente, regras de isolamento social devem prevalecer para certos tipos de pessoas, o uso da máscara. É um conjunto de restrições que impede o retorno normal à atividade econômica”, afirmou Nóbrega.

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Renda básica

Para da Maílson da Nobrega, a renda básica universal é desejável, mas deve-se perguntar se é viável do ponto de vista fiscal. Ele cita uma pesquisa feita pelo economista Marcos Mendes, especializado em finanças públicas, que chegou ao dado de que uma renda universal de 400 reais por mês para todos os brasileiros significaria um custo de mais de R$ 1 trilhão reais. “Ou se elimina o teto para permitir margem para uma renda universal ou nós vamos restringir essa renda adicional em valor e quantidade de beneficiários a um mínimo suportável pelo orçamento da união”.

Nelson Marconi observa que a pandemia enfatizou a condição vulnerável de uma base social brasileira que já era conhecida e defende a ampliação da renda básica hoje. “Existem possibilidades. Se a gente diminui, fortemente, os subsídios que a união hoje concede, que chegam a mais ou menos 350 bilhões, a gente já teria uma fonte de renda razoável para financiar o programa. Se a gente taxasse os lucros e dividendos distribuídos, que hoje não são taxados, teríamos algo entre 50 e 100 bilhões. Do ponto de vista da justiça social seria muito justo se a gente diminuísse os subsídios para determinados setores e aumentar a renda de coisas que estão isentas só no Brasil e em outros países não", afirmou.

(Edição: Leonardo Lellis)