The North Face é a maior marca a aderir boicote contra o Facebook


Brian Fung, da CNN
20 de junho de 2020 às 14:43 | Atualizado 03 de julho de 2020 às 23:34
The North Face

Vitrine da loja The North Face

Foto: Reprodução/The North Face
 
A marca de roupas para esportes ao ar livre The North Face se tornou uma empresa ainda mais conhecida por se comprometer com um boicote publicitário ao Facebook. A ação da grife norte-americana é resultado do tratamento da desinformação e do discurso de ódio dado pela plataforma de mídia social – um movimento que poderia abrir a porta para outras marcas a fazer o mesmo.

A decisão da The North Face veio em resposta a uma campanha de pressão dos principais grupos de direitos civis dos EUA, incluindo a NAACP (Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor) e a Liga Antidifamação. A campanha é conhecida como #StopHateForProfit (algo como “pare o ódio em nome do lucro”) e, na quarta-feira (17) começou a pedir aos anunciantes que suspendessem suas campanhas de marketing no Facebook no mês de julho.

“Estamos dentro”, twittou a The North Face. “Estamos fora do @Facebook #StopHateForProfit."

A decisão da The North Face também segue pedidos de políticos de alto escalão, incluindo a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, para que os anunciantes usem sua “tremenda influência” sobre as empresas de mídia social para forçá-los a mudar seus caminhos. A maior parte da receita do Facebook vem de publicidade.

De acordo com o comunicado, o compromisso da grife de roupas se aplica a anúncios no Facebook e no Instagram (de propriedade do Facebook), mas não envolve a criação de conteúdo orgânico no Instagram.
 
Craig Hodges, porta-voz da controladora da The North Face, a VF Corp, disse que várias outras marcas no portfólio da empresa estão “considerando” seguir os mesmos passos. A VF Corp também é dona das marcas Dickies, Vans, Timberland e Smartwool, entre outras. No ano encerrado em 31 de março, a VF Corp gastou US$ 756 milhões [cerca de R$ 4 bilhões] em publicidade.

“The North Face está interrompendo todas as atividades e a publicidade paga dos EUA no Facebook até que políticas mais rígidas sejam adotadas para impedir que conteúdo e informações racistas, violentas ou de ódio circulem na plataforma”, afirmou o comunicado.

Em comunicado à CNN Business, Carolyn Everson, vice-presidente do Global Business Group do Facebook, disse: “Respeitamos profundamente a decisão de qualquer marca e continuamos focados no importante trabalho de remover o discurso de ódio e fornecer informações críticas sobre eleições. Nossas conversas com profissionais de marketing e organizações de direitos civis são sobre como, juntos, podemos ser uma força para o bem”.

Há semanas, os altos executivos do Facebook enfrentam uma reação contínua por causa da maneira como lidaram com o discurso incendiário do presidente Donald Trump. A falta de ação da empresa nas postagens online de Trump, incluindo um comentário em que ele escreveu “saques” levariam a “tiros”, foi recebida porprotestosde funcionários, críticas de ex-colaboradores e até preocupações de cientistas financiados pela iniciativa filantrópica do CEO Mark Zuckerberg.

Com a continuidade dos protestos em todo o país contra a brutalidade policial e a morte de George Floyd, também cresceram os pedidos para que profissionais de publicidade e marketing tirassem seus dólares de anúncios do Facebook. Os protestos chegaram a empresas de todos os tamanhos, incluindo gigantes como Coca-Cola, McDonald's e Starbucks. De acordo com reportagemde quinta-feira (18) do Wall Street Journal, a agência de publicidade 360i pediu aos seus clientes que se juntassem ao boicote.

“Vamos enviar ao Facebook uma mensagem poderosa: seus lucros nunca valerão [a pena] promover o ódio, o fanatismo, o racismo, o antissemitismo e a violência”, diz a mensagem do site da campanha #StopHateForProfit, realizada conjuntamente pela NAACP, ADL (Liga Antidifamação), Color of Change, Free Press e Sleeping Giants.

A Color of Change se reuniu com o CEO Mark Zuckerberg neste mês para expressar oposição à manipulação do Facebook do discurso provocador de Trump.

“Achamos que, neste momento, se você realmente pensa que vidas negras são importantes, precisa desenhar uma linha na areia e estar disposto a retirar seus milhões para trás dessa linha”, disse Brandi Collins-Dexter, diretor de campanha da Color of Change, em uma entrevista. “Qualquer empresa que ofereça suporte financeiro ou cobertura ao Facebook faz parte do problema e da infraestrutura que permite a marginalização das pessoas negras”.

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Algumas pequenas empresas disseram quesuspenderiam os gastos com anúncios ou agiriam de outras maneiras. A startup de saúde mental Talkspace, que arrecadou mais de US$ 100 milhões [cerca de R$ 531 milhões] em capital de risco, anunciou que se retiraria de um acordo de parceria na casa das centenas de milhares de dólares com o Facebook, embora não tenha mencionado nada sobre publicidade. A empresa não respondeu aos pedidos de comentários sobre o assunto.

Os ativistas que exigem mudanças enfrentam uma tarefa extremamente ambiciosa. O Facebook é o segundo maior mercado de marketing digital dos EUA depois do Google e, no ano passado, gerou US$ 69,7 bilhões [cerca de R$ 379 bilhões] em publicidade em todo o mundo.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).