Dólar tem maior queda em 2 semanas e fecha a R$ 5,15 com otimismo no exterior

Moeda caiu 2,26% com sinais de recuperação econômica global, alívio nas tensões EUA-China e sinalização do Copom de que espaço para cortar juros é pequeno

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*
23 de junho de 2020 às 09:16 | Atualizado 23 de junho de 2020 às 18:19
Na última sessão, o dólar caiu 0,86%, a R$ 5,2722 na venda
Foto: Valentyn Ogirenko/Reuters

O dólar fechou em forte queda contra o real nesta terça-feira (23), na esteira do clima otimista no exterior por conta de sinais de recuperação da atividade e do alívio nas tensões entre Estados Unidos e China. No Brasil, os investidores reagiram à ata do Comitê de Política Monetária, divulgada pela manhã.

A moeda norte-america encerrou o dia em baixa de 2,26%, a R$ 5,1531 na venda. É a maior queda percentual diária desde 8 de junho (quando o dólar recuou 2,66%) e o menor patamar desde 15 de junho (R$ 5,1421).

Durante a sessão, a cotação oscilou entre baixas de 2,60%, a R$ 5,1350, e de 0,84%, para R$ 5,2279. Na B3, o dólar futuro recuava 1,92%, a R$ 5,1535, às 17h02.

Segundo Flávio Serrano, economista-chefe do banco Haitong, nesta terça houve uma redução no sentimento de aversão ao risco visto no dia anterior, quando os investidores tiraram dinheiro de ativos de maior volatilidade, como ações e algumas moedas emergentes.

"É um dia melhor. Os dados de atividade da Europa vieram bons, mais fortes do que se esperava, e as economias seguem reabrindo", afirmou.

A pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada nesta terça-feira mostrou que a contração histórica da economia da zona do euro diminuiu de novo este mês, já que várias empresas que haviam sido forçadas a fechar as portas para conter a disseminação do coronavírus reabriram.

Também colaborou para o tom positivo o fato de o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, ter voltado atrás nas declarações de que o pacto comercial entre EUA e China estaria "acabado". Ele disse que seus comentários foram tirados do contexto, enquanto o presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou no Twitter que o acordo está "totalmente intacto".

Menor espaço para corte dos juros

Já no Brasil, a atenção dos investidores esteve voltada à ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). No documento, o Banco Central avaliou que a atividade econômica brasileira atingiu o fundo do poço em abril e disse que o país já estaria próximo do limite efetivo mínimo para a taxa básica de juros, a partir do qual novos cortes seriam contraproducentes.

A redução da Selic a mínimas históricas é apontada por analistas como fator de impulso para o dólar, uma vez que torna rendimentos locais atrelados aos juros básicos menos atraentes. Outros aspectos que favorecem a busca por segurança são as incertezas políticas e econômicas no Brasil, que podem ser ainda mais agravadas caso haja uma segunda onda global de infecções por Covid-19.

A Selic foi reduzida na semana passada à nova mínima recorde de 2,25% ao ano, e analistas de mercado já veem a taxa de juros ao fim de 2020 em até 1,5% ao ano.

Para o Goldman Sachs, um corte adicional da Selic em agosto é provável, sem prejudicar em demasia o câmbio.

Alberto Ramos, diretor de pesquisas econômicas para a América Latina do banco privado, disse em nota que previsões de inflação para 2021 "muito confortáveis" e núcleos de inflação rodando abaixo de níveis compatíveis com o cumprimento da meta sugerem que um novo corte é mais provável, "barrando mais elevações no prêmio de risco fiscal e/ou uma performance significativamente mais fraca para o real".

Na última sessão, o dólar caiu 0,86%, a R$ 5,2722 na venda.

*Com Reuters

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