Representantes da construção civil defendem desburocratização de alvarás


Da CNN, em São Paulo
03 de julho de 2020 às 21:39 | Atualizado 03 de julho de 2020 às 21:44

 

Enquanto muitos setores acumulam perdas, a construção civil conseguiu registrar números positivos em meio à pandemia do novo coronavírus. Os financiamentos cresceram, os preços dos imóveis valorizaram e, assim, a construção foi responsável por 11% dos empregos com carteira assinada no país.

Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (3), o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, e o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), José Carlos Martins, falaram sobre a liberação de alvarás pelas prefeituras para dar continuidade às obras. 

Ambos observaram que há muita burocracia, o que prejudica o andamento das construções. Para França, é vital que se tenha aprovação dos novos alvarás para que os trabalhadores e seus familiares continuem vivendo normalmente. Martins afirmou que é uma pessoa fanática por desburocratizar. “Será que a casa de uma pessoa, dar casa para uma pessoa, é menos importante que o papel?”, questionou.  

“Nós somos responsáveis por empregar 4 milhões de trabalhadores. As obras iniciam, mas também acabam. Se elas acabam e outras não começam, nós não teremos como manter o emprego das pessoas”, disse França. “O melhor para o país é que a cada obra que acabe, nós possamos iniciar mais de uma e, assim, gerar mais empregos”, acrescentou.

Segundo França, existe hoje uma enorme dificuldade para as cidades do país obterem autorizações, o que é muito ruim para a economia como um todo. O presidente da Abrainc ainda fez um pedido para as prefeituras: “Vamos, por favor, soltar os alvarás porque há um contingente de trabalhadores que precisam continuar trabalhando e um outro que pode ser empregado”.

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Martins, presidente da CBIC, falou que no primeiro semestre de 2020 houve um crescimento expressivo no mercado imobiliário no país, graças às medidas desburocratizantes, mas criticou a demora do alvará de concessão das prefeituras. "Não é possível que isso trave a geração de empregos. Até para o próprio setor público isso não é muito inteligente, pois ele posterga o recebimento de impostos", disse.

França completou dizendo que, se o governo quiser uma política para ajudar as pessoas a comprarem suas casas, criará uma enorme geração de empregos. “Segundo a FGV [Fundação Getulio Vargas], nos próximos dez anos nós podemos gerar 7,5 milhões de empregos por ano”, afirmou.

(Edição: Paulo Toledo Piza).