Tesla brasileira? Marca nordestina de motos elétricas, Voltz chega a São Paulo


Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo
04 de julho de 2020 às 07:30 | Atualizado 04 de julho de 2020 às 09:57
Voltz

Loja da Voltz em Recife, Pernambuco: empresa aposta em crescimento com scooters elétricas

Foto: Voltz/Divulgação

Ainda desconhecida do grande público, a Voltz Motors, marca recifense de motos elétricas lançada em novembro de 2019, se prepara dar um salto na sua operação. A empresa, que já vendeu mil unidades da sua scooter EV1 exclusivamente pela internet, abrirá uma loja em São Paulo, na Av. Nove de Julho, na semana do dia 25 de agosto. Além disso, passará sua produção para a Zona Franca de Manaus, ampliando sua capacidade produtiva de 8 para 22 mil motos por ano.

E, por trás dessa expansão está o empresário Renato Villar. Ele trabalhava na Ambev e, em 2013, recebeu uma promoção que demandava mudança para fora do Brasil. “Não me via trabalhando em outra empresa e também não pensava em sair daqui, então pesquisei nichos para montar meu próprio negócio”, diz. Começou então a importar e distribuir peças de moto da China para montadoras do Brasil, negócio que mantém até hoje com a P2M.

Lidando diariamente com o mercado, viu a demanda por scooters crescer no Brasil com a chegada da Honda PCX, líder do mercado, em 2016. Dados da Abraciclo mostram que o segmento fechou 2019 com mais de 96 mil unidades vendidas, um crescimento de 44% em relação aos números do ano anterior. “Acompanhando o setor de perto, vi que a demanda por scooters foi ficando cada vez mais forte”, diz.

Aliado a isso, percebeu nas suas costumeiras viagens à China, que o mercado de motocicletas e bicicletas elétricas era gigantesco, com a venda de 25 milhões de unidades por ano. “Muitas pessoas já tinham tentado trazer o produto, mas focando num público mais low end, o que não funcionou por aqui”, diz. “Entendi que era preciso buscar aquelas pessoas que estavam buscando mobilidade, mas com uma pegada mais consciente.”

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Com esse cliente na cabeça, começou a desenvolver o que viria a ser a primeira moto da companhia em 2017. “Eu sabia que a moto elétrica aqui no Brasil poderia ter problemas na hora de carregar a bateria, então procuramos uma portátil, de lítio”, explica. Mas isso trouxe outro desafio, uma limitação na potência das motocicletas. “Não conseguiríamos entregar autonomia e velocidade num primeiro momento. Decidi então que esse projeto seria uma moto de entrada, a primeira moto do cliente.”

Após R$ 8 milhões em investimentos, nasceu então a EV1, primogênita da marca, que tem 50 quilômetros de autonomia e atinge até 60 quilômetros por hora. Com um motor de 1.800 watts, ela se aproxima, em comparação com as concorrentes à combustão, de um modelo com 50 cilindradas. O desenvolvimento e a montagem do produto são feitos por aqui e boa parte das 116 peças são importadas da China.

“Temos um contrato de exclusividade com o fornecedor e não pretendemos sair do mercado sul-americano num futuro próximo”, conta Villar. “Agora estamos trabalhando para readequar esta mesma moto a outras realidades e lançar um segundo modelo para competir em outra categoria.” Com mil unidades vendidas desde o lançamento, a EV1 básica é comercializada a R$ 9,4 mil, mas vai ganhar outras possibilidades de configuração em breve.

Com a compra de baterias extras, os clientes poderão aumentar a autonomia e a velocidade máxima da moto, lembrando que o aumento de uma diminui necessariamente a capacidade da outra. Conforme o produto escale, a Voltz pretende disponibilizar as baterias em máquinas de venda, para que os clientes aluguem quando sentirem necessidade.

Já a EVS, lançamento da marca (que deve ocorrer junto com a abertura da loja em SP), pretende concorrer na categoria naked ou street, que ocupa fatia mais significativa do mercado. “Esse é o principal mercado do Brasil, mas sentimos que precisávamos fazer um trabalho antes”, diz. “Como empresas começaram a nos procurar para colocar nossas motos em parte das suas frotas, decidimos pular a segunda scooter que estava em desenvolvimento para apostar nessa categoria.”

A moto terá, em princípio, autonomia de 120 quilômetros e velocidade máxima de 75 quilômetros por hora. O preço ainda não está definido, mas a tendência é que figure entre os R$ 13 e R$ 14 mil. Usando e carregando diariamente, as baterias têm, segundo a empresa, vida útil de três anos aproximadamente. A montadora oferece garantia por dois. Segundo cálculos da própria montadora, o "reabastecimento" custa R$ 0,02 por quilômetro.

Volterz

Para realizar as vendas, a Voltz conta, até aqui, com sua primeira loja, em Recife, e outros seis showrooms em cidades do Nordeste. Villar afirma, no entanto, que a marca está em franca expansão pelo Brasil. “Estamos negociando a abertura de mais 41 showrooms entre julho e agosto, além da abertura de lojas conceito nas capitais." A de São Paulo, como dito acima, será inaugurada no final de agosto.

Apesar da estrutura, o modelo de vendas é diferente do habitual. Os showrooms são comandados por terceiros e não possuem estoque de motos. O negócio gira simplesmente em torno de comissões. A cada moto vendida, 8% do valor fica com o “broker”. “É um modelo mais escalável, sem tanta necessidade de capital de giro por parte dos nossos parceiros”, diz Villar. Além disso, assim como na referência Tesla, todas as vendas são finalizadas online. 

O modelo abriu espaço para que os “volterz”, nome dado aos fãs da marca, participassem ativamente do processo de disseminação da marca. “Criamos um sistema de cashback que, quando um cliente compra um produto da marca com indicação de outro, o amigo que passou a dica ganha 1% do valor da negociação para trocar por mercadorias ou dinheiro na nossa loja online.”

Quem compra uma Voltz hoje, leva em média 11 dias úteis para receber a motocicleta. Com a chegada do negócio em São Paulo, a tendência é que esse prazo diminua. 

Números

Voltz

EVS, moto naked da Voltz que deve ser lançada no final de agosto

Foto: Voltz/Divulgação

A empresa amadurece agora um plano para realizar sua primeira rodada de investimentos. “Já tivemos muitas conversas neste sentido. Estamos esperando alcançar alguns números para avançar com isso. Acredito que precisamos de cerca de R$ 20 milhões para consolidar a marca”, aponta Renato. Ele projeta faturar R$ 52 milhões em 2020 e R$ 300 milhões em 2021. Para isso, também será necessário combinar com os consumidores. 

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