Ford recria o clássico Bronco para competir diretamente com o Jeep

Haverá uma versão de médio porte de duas portas, uma de quatro portas e um off-road menor chamado Bronco Sport. Versões serão submarca da montadora

Peter Valdes-Dapena, do CNN Business,
07 de julho de 2020 às 08:38 | Atualizado 07 de julho de 2020 às 08:39
Os clássicos Ford Broncos, como estes modelos de 1969, viraram modelo de colecionador
Foto: Divulgação/Ford

Na próxima segunda-feira, dia 13 de julho, a Ford divulgará três novos modelos de SUVs, todos com o nome Bronco. Haverá uma versão de médio porte de duas portas, uma de quatro portas e um off-road menor chamado Bronco Sport. Em resumo, a Ford está criando uma submarca separada para SUVs off-road com o nome Bronco.

Ao recuperar o nome de um modelo que estava fora de produção há quase 25 anos nos EUA, o alvo da Ford é óbvio: o Jeep da Fiat Chrysler Automobiles.

O Jeep é um competidor tentador. A marca Jeep é uma das marcas automotivas mais fortes do mundo, poder atestado pelo fato de que, desde suas origens na Segunda Guerra Mundial, ela sobreviveu à troca de guarda de quatro montadoras diferentes.

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Hoje, os compradores pagam quase sempre o preço inicial por um SUV Jeep, em vez de negociarem um grande desconto com o revendedor. Além disso, geralmente levam para o carro vários acessórios Jeep para personalizar sua compra. 

Os fãs também compram roupas da marca Jeep, carrinhos de bebê e até brinquedos para cães. O Jeep Wrangler Unlimited, de quatro portas, tem o melhor valor de revenda entre SUVs off-road em 2020 nos Estados Unidos, de acordo com o guia Kelley Blue Book, que avalia os preços do mercado de lá.

A força da marca Jeep está nas habilidades off-road de seu principal produto, o Jeep Wrangler, a conexão ancestral com o carro robusto com tração nas quatro rodas usado na Segunda Guerra Mundial.

Já na aquela época, a Ford foi um dos principais contratantes para montar veículos e fabricou 270 mil Jeeps durante a guerra. A famosa grade frontal de metal estampada com sete aberturas verticais, cuja nova versão adorna os Wranglers de hoje, foi projetada pela Ford. No entanto, como a Ford estava construindo veículos de uso geral, ou GPs (de “General Purpose”), sob licença, apenas para ajudar no esforço de guerra, o projeto ficou com a Willys-Overland Motors após o conflito mundial. Por meio de uma série de fusões e aquisições, a Jeep e a famosa grade acabaram sendo, hoje, propriedade valiosa da Fiat Chrysler.

A Ford por fim encontrou sua propriedade de valor no nome Bronco. Broncos originais, os menores lançados entre 1966 e 1977, são itens importantes entre colecionadores. Os preços dos Broncos clássicos aumentaram 76% nos últimos três anos, de acordo com a empresa de carros colecionáveis Hagerty. Parte desse aumento se deve provavelmente à iminente reintrodução da marca pela Ford, que trouxe nova atenção aos modelos antigos. Mas, mesmo antes que isso se tornasse de conhecimento público, os Broncos clássicos já lideravam o aumento de SUVs entre os carros de colecionadores.

Assumindo um velho inimigo


No início da década de 1960, antes de criar o Bronco original, a Ford pesquisou o mercado norte-americano, que também incluía o International Harvester Scout, para descobrir o que os proprietários achavam que faltava em seus veículos off-road de então.

“O que o público-alvo não gostava no [Jeep] CJ e no Scout era o fato de eles chacoalharem muito e não serem muito confortáveis”, disse o historiador da Ford Ted Ryan, em entrevista à CNN Business.

Por isso, a Ford projetou o Bronco original pensando numa viagem mais agradável nas rodovias, ao mesmo tempo em oferecia um carro robusto para enfrentar trechos acidentados no off-road.

Recentemente, a Ford voltou a fazer esse tipo de pesquisa para ver como poderia ir além dos modelos off-road atuais da concorrência, como o Jeep Wrangler e a picape Tacoma da Toyota.

Só que, diferentemente do passado, os pátios das concessionárias de hoje estão cheios dos chamados SUVs crossover, projetados para proporcionar conforto e manuseio seguro na estrada, mas não para se aventurar longe do asfalto. As vendas desses crossovers parecidos com os carros de passeio explodiram nos últimos anos, praticamente dominando o mundo automotivo. Ainda assim, ainda existe um mercado para SUVs projetados para trilhas e lama.

“Montamos painéis especializados de entusiastas e pessoas que realmente entendem desse mundo porque não estávamos nele há mais de duas décadas”, disse Mark Grueber, gerente de marketing de consumo da Ford. “Saímos e nos envolvemos em diferentes eventos de clientes, tentamos viver e respirar com os clientes e entender o que eles gostavam e não gostavam dos produtos atuais”.

Greuber contou que cerca de metade, ou um pouco menos, dos proprietários do Bronco frequentemente fazem off-road. Essa estatística pode variar muito, dependendo da definição de “off-road”, que pode representar desde uma estrada de cascalho a uma escalada de encosta rochosa com uma roda suspensa no ar.

Para apresentar o novo Bronco a potenciais compradores, a Ford está criando quatro parques de estacionamento off-road com o nome estranho de Ford Offroadeos. Cada um incluirá uma variedade de terrenos para motoristas de vários níveis de habilidade e coragem. A Land Rover tem locais semelhantes a esses em todo o mundo, nos quais mostra as qualidades de seus SUVs e ensina aos motoristas a usá-las.

A Ford também está trabalhando com a comunidade online thebronconation.com na apresentação dos novos SUVs, segundo informou a empresa. Esses esforços são semelhantes aos clubes e eventos off-road, organizados de forma mais independente, que a Jeep usa para criar um senso de camaradagem em torno de sua marca e produtos.

Com o Bronco, a Ford está trazendo de volta um nome que, como o Mustang, cativa um certo conjunto de consumidores. A empresa agora possui uma divisão separada, a Ford Icons, dedicada ao gerenciamento apenas dessas marcas, e está trabalhando com empresas de roupas e brinquedos que oferecem produtos licenciados da marca Bronco. 

“É uma responsabilidade que não levamos na brincadeira”, disse David Pericak, diretor de gerenciamento de linha de produtos da Ford Icons. “Se errarmos, poderemos potencialmente perder nosso status icônico”.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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