Investidores estrangeiros elogiam reunião com Mourão, mas cobram resultados

Fundos devem aguardar alguns meses por avanços concretos antes de decidir se retiram seu dinheiro do país

Raquel Landim
Por Raquel Landim, CNN  
09 de julho de 2020 às 19:36

 

Árvores em chamas na Amazônia
Tronco de árvore em chamas na Amazônia: pressão de estrangeiros contra desmatamento
Foto: Ueslei Marcelino - 23.ago.2019/ Reuters


Os investidores estrangeiros que participaram de reunião nesta quinta-feira (9) com o vice-presidente Hamilton Mourão elogiaram a abertura do governo brasileiro para discutir o desmatamento da Amazônia, mas cobraram resultados concretos.

“Estamos encorajados por essa resposta inicial e pelo diálogo com o governo brasileiro. E só através de colaboração entre governos, empresas e investidores que vamos alcançar as mudanças necessárias. É um começo”, disse por meio de nota Jan Erik Saugestad, CEO do fundo norueguês Storebrand Asset Management.

Fontes próximas aos fundos ouvidas pela CNN disseram que o encontro foi positivo, mas que é impossível detectar em apenas uma reunião se os compromissos assumidos serão cumpridos. Segundo esses interlocutores, os fundos devem aguardar alguns meses por resultados mais concretos antes de decidir se retiram seu dinheiro do país.

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No documento divulgado à imprensa, os noruegueses elencaram cinco pontos que serão observados: redução significativa do desmatamento da Amazônia, aplicação do Código Florestal Brasileiro, reforço das agências de fiscalização, ações de prevenção a incêndios para evitar a repetição das queimadas de 2019 e transparência nos indicadores de desmatamento.

Os representantes dos fundos fizeram questão de deixar claro a Mourão e aos ministros brasileiros que não querem interferir na soberania do Brasil, mas que a preservação da Amazônia é uma questão econômica. Esses fundos têm clientes que não aceitam aplicar seus recursos em países que desmatam.

Do lado brasileiro, acompanharam Mourão na videoconferência os ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, da Agricultura, Tereza Cristina, das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, além do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Entre os estrangeiros, estavam representantes de dez fundos de investimento, como o norueguês Storebrand, o britânico BlueBay, o escocês AP2 Second Swedish National Pension Fund e o japonês Sumitomo Mitsui, entre outros.

Nesta sexta-feira (10), Mourão se reúne com representantes de grandes empresas brasileiras também para tratar do desmatamento da Amazônia. Vão participar os CEOs de Natura, Suzano, Shell, Cargill, Marfrig, Vale e Itaú.

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