Amazon, Apple e Microsoft rumo aos US$ 2 trilhões?

Apple e Microsoft valem, sozinhas, US$ 1,6 trilhão hoje. Já a Amazon tem valor de mercado acima dos US$ 1,5 trilhão

Paul R. La Monica, do CNN Business, em Nova York
10 de julho de 2020 às 17:01
Amazon
Entregador da Amazon em Denver: ao lado de Microsoft e Apple, empresa pode se tornar uma das primeiras a valer US$ 2 trilhões
Foto: Kevin Mohatt/Reuters

US$ 2 trilhões de dólares é muito dinheiro – o tipo de quantia que o governo norte-americano tem em déficit orçamentário e que gasta para estimular a economia. Mas três empresas de tecnologia dos Estados Unidos podem, em breve, alcançar o valor de mercado de 13 dígitos.

Apple e Microsoft valem, sozinhas, US$ 1,6 trilhão hoje. Já a Amazon tem valor de mercado acima dos US$ 1,5 trilhão. As ações dessas companhias estão sendo negociadas próximas aos seus recordes históricos, e cada uma está de 20% a 25% abaixo dos US$ 2 trilhões de valor de mercado. Todas podem atingir os US$ 2 trilhões dentro do próximo ano ou dois se continuarem apresentando resultados sólidos.

Wall Street é claramente fã do CEO da Apple, Tim Cook, de Satya Nadella, da Microsoft e do homem mais rico do mundo, Jeff Bezos, da Amazon. Essas empresas ajudaram a Nasdaq a atingir seu maior valor na história, acima dos 10 mil pontos, no dia 9 de junho, apesar de preocupações acerca da pandemia de Covid-19.

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A Apple está ganhando muito dinheiro com a venda de iPhones e seus serviços, divisão que inclui o Apple Pay, Apple Music e a Apple Store, e está crescendo rapidamente.

A Microsoft está gerando números fortes de vendas e lucro com as assinaturas do Office 365. Enquanto isso, a Amazon está fazendo mais entregas que nunca para assinantes de seu programa de fidelidade, o Amazon Prime.

Microsoft e Amazon também são líderes de um lucrativo mercado de computação em nuvem com a Azure e AWS, divisões extremamente lucrativas.

Crescimento constante durante a crise

“Quando o crescimento é escasso, as pessoas pagam mais por isso”, disse Don Townswick, diretor de Estratégias de Patrimônio da Conning. “Este é um ambiente onde houve um pequeno crescimento por anos, mais ou menos desde a crise financeira de 2008”.

Analistas de Wall Street permanecem otimistas sobre o trio de tecnologia.

29 de 39 analistas que acompanham a Apple recomendam a compra das ações da empresa, de acordo com dados da plataforma Refinitiv. Enquanto isso, 34 de 37 analistas que observam a Microsoft recomendam a compra de seus papéis e 48 de 51 cobrindo Amazon colaram a etiqueta de compra em suas ações.

É o momento de um respiro?

Mas um olhar mais profundo pode causar um certo receio sobre as três ações: alguns acreditam que elas estão correndo muito longe, muito rápido.

Apple e Microsoft já cresceram mais de 30% em 2020 e se integram o grupo de empresas que melhor performaram no ano, até agora. A Amazon é uma das melhores ações do S&P 500, crescendo quase 70% no período de um ano. Apesar do otimismo dos analistas, o consenso é que os preços ideais para essas ações são menores que os preços atuais.

Cada uma dessas três companhias é forte e aparenta ser resistente a recessões. Mas a precificação se torna uma preocupação, disse a líder de investimentos da Northern Trust Wealth Management, Katie Nixon em um relatório nesta semana. “Estas são excelentes companhias, mas o preço é importante no longo prazo. As ações que dominam a Nasdaq são caras”, escreveu Nixon. “São preços altos que deixam pouca margem de erro, o que pode representar uma reviravolta em caso de performances insatisfatórias”, disse.

Townswick, da Conning, afirma que os três titãs da tecnologia enfrentam ainda mais pressão para apresentar resultados fortes, especialmente se a economia se recuperar no próximo ano. Afinal, se Amazon, Apple e Microsoft podem prosperar durante a crise, não deveriam elas performar ainda melhor num cenário de recuperação?

“Pode haver perigo se uma dessas empresas desapontar”, disse Townswick. “Você vive pela espada e morre pela espada e deve continuar entregando depois que as coisas voltarem ao normal”.

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