Boeing busca a liberação do 737 MAX para voos, mas não o espere no ar tão cedo


Chris Isidore, do CNN Business, em Nova York
11 de julho de 2020 às 07:00
Prédio da Boeing

Logotipo da Boeing na frente de prédio da companhia em Washington: companhia precisará buscar diversas liberações

Foto: REUTERS/Lindsey Wasson

Mais de 15 meses depois que seu avião mais vendido deixou de decolar, a Boeing está finalmente perto de obter aprovação para transportar passageiros no 737 Max novamente. Mas não espere ver nenhum passageiro a bordo dessas aeronaves até o final deste ano, na melhor das hipóteses.

O Boeing 737 Max foi impedido de levantar voo em março de 2019 depois de dois acidentes fatais que mataram 346 pessoas. A Boeing está redesenhando o recurso de segurança automática que funcionou mal e forçou o nariz dessas aeronaves para baixo, causando os acidentes. No entanto, a empresa perdeu vários prazos para obter aprovação regulatória ao longo do caminho. Seu objetivo mais recente (obter a aprovação no meio deste ano) acontece agora. Assim, estão também no ar voos de teste, uma das etapas finais necessárias para a liberação.

Leia também:
Voos de teste para certificação do Boeing 737 MAX começam na segunda-feira
Latam Brasil entra com pedido de recuperação judicial nos EUA
Azul vende participação de 6% na TAP para governo de Portugal, por R$ 65 mi

Com esse histórico de prazos perdidos, nem a Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA nem a Boeing podem dizer quando o avião será aprovado para transportar passageiros novamente. As companhias aéreas indicaram que não estão planejando trabalhar com o modelo até, no mínimo, o final deste ano.

Especialistas dizem que é uma aposta relativamente segura. “Serão necessários vários meses, sem dúvida, para lidar com o treinamento e as correções”, afirmou Richard Aboulafia, analista aeroespacial do Teal Group. “A situação da Covid-19 atrapalha um pouco o processo. Minha aposta é que voo inaugural aconteça alguns dias antes do feriado de Dia de Ação de Graças (26 de novembro).”

Um longo processo de aprovação

Pilotos da FAA iniciaram testes de voo com o novo 737 Max na semana passada e continuam nesta semana. Quando a agência estiver satisfeita, poderá fazer a liberação de forma relativamente rápida. Mas isso é apenas o começo, não o fim. 

A Boeing precisará então obter aprovação de outros reguladores da aviação em todo o mundo – uma etapa crucial, uma vez que a maioria dos 387 aviões que já foram entregues estão nas mãos de companhias aéreas estrangeiras.

Em seguida, a gigante aeroespecial norte-americana terá de fazer reparos nos aviões aterrados, bem como nos mais de 400 fabricados durante a parada e que ainda não foram entregues.

E não são apenas os recursos de segurança que precisam ser corrigidos. Durante esse processo, problemas com o sistema de fiação do Max também foram descobertos. A Boeing precisará consertar isso também.

“A Boeing já começou a modificar [a fiação de] aviões que ainda não foram entregues e está coordenando os esforços de modificação com as companhias aéreas”, relatou a companhia. “Os novos aviões que estão sendo fabricados também incluirão essa atualização.”

Outra questão envolve os pilotos, que precisarão gastar bastante tempo em simuladores e treinamento para se familiarizar com o novo sistema de segurança. Durante as investigações dos acidentes, houve questionamentos sobre o treinamento dos pilotos para passar de uma versão anterior do 737 para o Max.

Momento perigoso para a aviação

A maior mudança no cenário é que a pandemia da Covid-19 e seu consequente colapso da demanda por viagens aéreas deixou muitos aviões aterrados em todo o mundo, incluindo uma grande porcentagem das versões anteriores dos jatos 737.

Os enormes prejuízos levaram muitas companhias aéreas a cancelar pedidos de novas aeronaves para economizar custos. A Boeing relatou 313 pedidos cancelados para o Max, e isso não inclui pedidos para 92 dos aviões anunciados recentemente pela Norwegian Air Shuttle.

A empresa norte-americana continuou fabricando o 737 Max após o aterramento, mesmo sem poder entregá-los. Mas, à medida que o processo de aprovação se esticou, a Boeing teve de interromper a fabricação porque a maior parte do pagamento que recebe pelos aviões vem no momento da entrega. Depois de pausar a produção em janeiro, pouco antes do surto do coronavírus causar problemas generalizados para as companhias aéreas, a Boeing passou a fabricar o 737 Max em um ritmo mais lento.

Os pedidos cancelados e a pandemia de coronavírus, da qual as viagens aéreas podem levar anos para se recuperar, levaram a empresa a reduzir seu cronograma de produção para todos os seus produtos. Atualmente, ela está no meio de um corte de 10% de sua equipe, eliminando 16 mil postos, em resposta à desaceleração.

A demanda pelo avião não é tão grande como quando as companhias aéreas estavam com a maioria de seus assentos ocupados com passageiros pagantes, o que acontecia até o final do ano passado.

“Temos muitos aviões no momento”, disse o CEO da Southwest, Gary Kelly, na reunião de acionistas da empresa no mês passado, falando sobre as perspectivas de um retorno ao serviço do Max. A companhia aérea voa apenas com aviões 737.

A Southwest (LUV) não cancelou nenhum dos pedidos que possui para 280 aviões, embora tenha adiado os pedidos de jatos que estavam agendados para entrega em 2021. Com 34 aviões 737 Max em sua frota, a Southwest é a companhia aérea com o maior número dessas aeronaves.

Mas Kelly disse que gostaria de ver seus 737 Max em serviço transportando passageiros mais cedo ou mais tarde, juntamente com os novos aviões que a Boeing já fabricou para a empresa, mas ainda não entregou.

“O Max é superior à versão do 737 que estamos operando atualmente. Queima menos combustível. É um excelente avião. E certamente gostaríamos de aposentar algumas de nossas aeronaves mais antigas, substituindo-as por aviões mais novos para evitar manutenção cara.”

Obter a aprovação do jato para transportar passageiros novamente é importante para a Boeing e seus clientes. Mas, em plena pandemia e em meio à pior crise na memória da indústria aeronáutica global, a questão não parece tão importante como se acreditava no início deste ano.

— Gregory Wallace, da CNN, contribuiu para esta reportagem

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook