'Não temos pressa para avançar para fase verde', diz secretária Patricia Ellen

Secretaria do governo de SP avalia que avalia que as próximas duas semanas serão críticas para o monitoramento

Thais Herédia
Por Thais Herédia, CNN  
12 de julho de 2020 às 09:54 | Atualizado 12 de julho de 2020 às 10:25

A primeira semana de reabertura de bares e restaurantes frustrou as expectativas dos empresários que passaram mais de três meses fechados. As limitações impostas pelo governo do estado de São Paulo levantaram um debate sobre a sensatez das medidas e também sobre o que esperar do comportamento dos clientes, enfrentando medo de voltar a interagir com outras pessoas.

“Nada é perfeito, mas essa é a flexibilização adequada para o momento, estamos controlando o risco. A fase amarela ainda tem uma presença forte do vírus, começando a desacelerar. Não estamos com pressa para avançar para verde. A vitória agora é manter o que já conquistamos até aqui”, disse Patricia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico de SP, em entrevista exclusiva à coluna. 

A região metropolitana de São Paulo foi uma das primeiras a mudar de fase no plano determinado pelo estado, saindo da vermelha para laranja. Foi quando foi permitida a reabertura dos shoppings e lojas de rua. Em quase três semanas aconteceu a transição para a fase atual, amarela, permitindo a volta dos bares, restaurantes e salões de beleza. Academias e clubes sociais se preparam para voltar a partir de agora. 

“Essa transição é a mais desafiadora porque ela precisa ser disciplinada, organizada e justa. A fase amarela depende do esforço coletivo, depende da responsabilidade das pessoas porque tem que partir delas o cuidado com suas ações. O desafio do confinamento era psicológico, o de agora é do exercício da cidadania”, completou Patricia Ellen. 

Leia e assista também

Restaurantes e bares de SP reabrem com queda de 85% em faturamento

Bares e restaurantes preferem não reabrir em São Paulo

Bares e restaurantes em São Paulo se adaptam para reabertura na segunda

A secretária avalia que as próximas duas semanas serão críticas para o monitoramento. E ressalta que ainda há muitos casos de contágio e mortes, mesmo que a pressão sobre os hospitais tenha sido reduzida. 

“A solidariedade está sendo testada agora. Se essa fase não for respeitada, podemos enfrentar uma situação muito difícil e o número menor de casos de contágio não se manter. Hoje a regra é prudência e paciência para garantir a manutenção da fase amarela no tempo certo”,  avalia. 

Depois das imagens de aglomerações em bares no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, muitos empresários do setor de bares e restaurantes acham que o “efeito Leblon” afetou a decisão do governo, tanto estadual quanto municipal. A administração de João Doria (PSDB) restringiu o horário, proibindo abertura noturna das casas. A vigilância sanitária da capital proibiu as mesas nas calçadas. 

“Os prefeitos podem adotar medidas mais restritivas do que as estipuladas pelo estado, não menos. O objetivo de todos nós é evitar o descontrole da capacidade das pessoas nos bares, por exemplo. Ou das aglomerações, que é o que pode acontecer em bares, infelizmente”, completou a secretária.