Governo mantém previsão de tombo de 4,7% para o PIB em 2020

Projeção é mais otimista do que o consenso de mercado, que projeta retração de 6,1% na economia neste ano

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
15 de julho de 2020 às 11:11 | Atualizado 15 de julho de 2020 às 13:38
O ministro da Economia, Paulo Guedes: sem alteração para a queda da economia neste ano
Foto: CNN Brasil - 15.mar.2020

O Ministério da Economia manteve sua projeção oficial para a contração na atividade econômica neste ano. A estimativa da pasta é a de uma queda de 4,7% para o Produto Interno Bruto (PIB), mesma projeção divulgada em maio. Se confirmada, será a maior queda da série histórica do indicador. 

O número foi publicado nesta quarta-feira (15) pela Secretaria de Política Econômica no Boletim MacroFiscal. Apesar de a projeção ter se mantido a mesma, em maio o governo ainda considerava o fim do isolamento até o final daquele mês. Até março, quando o número de casos da Covid-19 ainda era baixo, o ministério ainda esperava que a atividade econômica ficasse estável, com "crescimento" de 0,02%.

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De acordo com o documento, a estimativa reflete a melhoria dos indicadores e o efeito positivo das medidas emergenciais adotadas pelo governo até o momento. "As políticas econômicas para combater a pandemia têm se mostrado exitosas como um escudo de proteção às famílias e às empresas nesse período", diz o relatório.

O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, explicou que a decisão de manter a projeção implica diretamente na forma como a equipe econômica entende que a economia vai reagir em 2020.

"Vários dados apontam para essa recuperação: não so os de serviços, como o de varejo no geral, o da construção civil e alguns indicadores financeiros", comentou. Ele admitiu, no entanto que o dado ainda poderá ser revisto na divulgação da próxima grade de parâmetros econômicos.  

Já o secretário especial de Política Econômica, Adolfo Sachsida, ressaltou o alto grau de incertezas para o cálculo de projeções. "Quem fez projeções de queda do PIB acima de 6,5%, por exemplo, terá que rever esse números. Com os dados que temos hoje, acho que nas próximas semanas veremos muitos agentes revendo essas projeções", observou. 

Para ele, os vários fatores econômicos em direções contrários dificultam as previsões. "Temos vários fatores atuando em direções opostas: a expansão do auxilio emergencial e novas formas de comércio online, por exemplo, estimulam a economia. Por outro, esperávamos que a economia reabrisse em junho, o que não ocorreu. A maior duração da pandemia afeta negativamente as previsões", explicou. 

A projeção do governo é mais otimista do que a previsão oficial do Banco Central, que espera tombo de 6,4%. Também é melhor do que a expectativa de retração de 6,1% do mercado financeiro. 

O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), respectivamente, já projetam que a economia brasileira despenque 8% e 9,1% em 2020. 

Retomada em maior velocidade

Ainda segundo o documento, dentre as economias emergentes, o Brasil foi um dos que atuou mais fortemente para preservar a economia. Com os indicadores econômicos de maio e junho, o governo já vê indicativos de que a retomada da atividade será mais rápida do que previsto anteriormente. 

"Embora o período de isolamento social no país seja um dos mais prolongados no mundo, o Brasil foi um dos países com políticas econômicas mais focadas dentre os emergentes. Como resultado a atividade tem mostrado sinais de recuperação mesmo durante o isolamento", diz o Boletim.

Na avaliação da equipe econômica, "mesmo diante da perda substancial de empregos e redução de salários", as medidas emergenciais foram suficientes para elevar a massa salarial durante a pandemia, sendo "importantes para garantir demanda a diversas firmas e setores durante esse período, minimizando o risco de falência".

No entanto, a pasta reforça que tais ações são um escudo de proteção para o período de crise, não sustentáveis no longo prazo, bem como incapazes de ampliar a capacidade produtiva da economia. "Consequentemente, novos desenhos de políticas de proteção social e estímulo ao emprego estão sendo desenhadas pelo Governo Federal para o período pós isolamento, que se concentram na evolução permanente da capacidade produtiva sem impor quaisquer custos fiscais adicionais", informa o documento.

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