Líderes do Centrão discutem estratégia de apoio à 'nova CPMF'

Plano, que foi abraçado por líderes do PP e do PL, é apresentar o imposto como uma das fontes de financiamento do novo programa do governo para a área social

Renata Agostini e Bárbara Baião, da CNN em Brasília
15 de julho de 2020 às 15:11 | Atualizado 15 de julho de 2020 às 15:41

Líderes de partidos de centro iniciaram conversas com o Palácio do Planalto e com a equipe econômica para traçar uma estratégia política que viabilize a criação de um imposto sobre transações financeiras. 

O plano, que foi abraçado por líderes do PP e do PL, é apresentar o imposto como uma das fontes de financiamento do novo programa do governo para a área social, que vem sendo chamado de Renda Brasil e substituirá o Bolsa Família, além de uma forma de promover a desoneração ampla da folha de pagamentos para as empresas.

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A ideia já foi apresentada de forma preliminar a outros líderes do bloco chamado de “Centrão”. A avaliação é que a proposta precisa amadurecer, mas pode ser um caminho para dirimir as resistências dentro do Congresso à criação do novo imposto.  

Na terça-feira, os líderes de PP, Arthur Lira, e de PL, Wellington Roberto reuniram-se com Guedes, o secretário da Receita, José Tostes, e outros integrantes da pasta. O tema também já foi sugerido à Secretaria de Governo, que cuida da articulação política do governo.

O imposto sobre transações financeiras, que lembra a antiga CPMF, é um sonho antigo do ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele defende que reduzir o custo de contratação de funcionários é essencial para a retomada da atividade econômica. Para compensar a queda de arrecadação com essa isenção que seria dada às empresas, é necessário buscar uma nova fonte de receita para o governo. No desenho de Guedes, é aí que entraria o imposto sobre transações financeiras.

O problema: Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já se posicionaram publicamente contra a ideia. Até recentemente, os líderes dos partidos do  Centrão também sinalizavam discordar do plano. Agora, que passaram a integrar a base do governo, buscam com Guedes uma forma de emplacar o tributo.

O Ministério da Economia pretende enviar seu desenho de proposta tributária à Casa Civil ainda nesta semana. A equipe econômica ainda debate o formato. Mas a ideia é que ele inclua a simplificação de impostos e não defina ainda as bases do  imposto sobre transações digitais.

Guedes tem a missão de convencer Bolsonaro a abraçar a ideia. Agora, a articulação do governo pensa como “vender” o imposto, que é impopular no Congresso.