Febraban: saúde e questão financeira serão prioridade de famílias após pandemia

Apesar das preocupações financeiras, 48% dos entrevistados pretendem investir mais tempo em ações de solidariedade com populações mais carentes

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
22 de julho de 2020 às 13:42 | Atualizado 22 de julho de 2020 às 17:04

Como reflexo da pandemia da Covid-19, as famílias brasileiras pretendem se preocupar mais com as questões de saúde e financeiras no pós-pandemia. É o que mostra a pesquisa Observatório Febraban, publicada nesta quarta-feira (22) pela Federação Brasileira de Bancos e pelo Ipespe. 

O levantamento, que entrevistou 1500 chefes de família entre 7 e 15 de julho, revela que 62% colocaram a saúde como maior preocupação no mundo pós-pandemia. Em segundo lugar, como opção de 53%, estão as questões financeiras, como dívidas, orçamento e poupança familiar. 

Apesar das preocupações financeiras, 48% dos entrevistados pretendem investir mais tempo em ações de solidariedade com populações mais carentes.  

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Na intenção de investimentos dos recursos que sobram no orçamento familiar, a principal escolha, com 48%, é a melhora e reforma da casa ou a compra de novo imóvel. Em segundo lugar, está a opção de investimos bancários ou poupança, com 37%. 

A maioria dos entrevistados, 51%, também mostram uma maior intenção de comprar carros particulares ao em vez de continuar o uso de transporte coletivo. "Provavelmente sob efeito do distanciamento social e do medo de contaminação pelo coronavírus. O maior consumo de carros sugere uma retomada mais intensa da indústria automotiva". 

Hábitos vão mudar

Entre as famílias 67% acreditam que darão mais atenção à saúde, sendo que 42% consideram que a maior prática de exercícios físicos será mais presente nos hábitos.A pesquisa também mostra que as despesas com alimentação serão priorizadas por 37% das famílias. 

Há ainda, uma expectativa de redução das atividades de lazer e entretenimento, principalmente entre os jovens de 18 a 24 anos, que são responsáveis por 20% da intenção de diminuir essas atividades. 

O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe, explica que pesar dessa intenção de reduzir o tempo dedicado às atividades de lazer, isso só deve durar enquanto não houver vacina. "É uma atitude datada. Não é uma tendência que deve perdurar após a pandemia. Mas enquanto não houver vacina, é um setor que fica limitado e isso termina afetando a economia pois é um segmento relevante", comentou.  

Mulheres com mais poder 

Outro reflexo da pandemia nas famílias brasileiras é a maior responsabilidade atribuída às mulheres, tanto no sustento da casa como na gestão do orçamento doméstico. A pesquisa mostra que 56% das mulheres administramo orçamento doméstico, contra 44% dos homens. 

Já em relação ao gerenciamento da poupança e dos investimentos da família, há uma equivalência entre os dois gêneros, com as mulheres representando 45% e os homens 47%. 

Para Lavareda, ainda que afetadas pelo desemprego e sobrecarregadas com tarefas domésticas, as mulheres sairão da crise mais empoderadas. "O isolamento social, ao forçar a reconfiguração da agenda nos lares, aumentou o seu papel na gestão do orçamento e no planejamento do futuro das famílias", disse. 

Por outro lado, elas também assumem a maior parte do trabalho doméstico. "Além do papel de gestoras do orçamento e da poupança familiares, as mulheres absorveram, na sua maior parte, o aumento da carga de trabalho doméstico em meio à pandemia". 

Vale destacar, no entanto, que as respostas indicam uma diferença nessa percepção. "Há mais homens dizendo que estão dividindo as tarefas do que mulheres que estão reportando essa divisão igualitária", informa a pesquisa. Ainda assim, o levantamento mostra que 63% das mulheres entrevistadas limpam a casa e 68% preparam as refeições, contra 23% e 24% dos homens, respectivamente.

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