Facebook, Amazon, Apple e Alphabet preparam defesa para audiência nos EUA

Na próxima semana, empresas vão prestar esclarecimentos sobre o uso do poder de mercado que detêm para prejudicar rivais

Da Reuters
23 de julho de 2020 às 15:01

Logos da Amazon, Facebook, Google e Apple: empresas vão se defender em audiência no Congresso norte-americano

Foto: Reuters

Os principais executivos de quatro das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos planejam se esquivar de críticas em uma audiência no Congresso na próxima semana sobre o uso do poder de mercado que detêm para prejudicar rivais, dizendo que eles próprios enfrentam concorrência e refutando alegações de que são tão dominantes.

Os presidentes executivos de Facebook, Amazon.com, Alphabet - dona do Google - e Apple devem falar perante o painel antitruste do Comitê Judiciário da Câmara em 27 de julho. Eles apresentarão seus testemunhos virtualmente, de acordo com fontes familiarizadas com seus planos.

O painel está questionando as empresas como parte de sua investigação abrangente sobre se elas trabalham ativamente para prejudicar e eliminar rivais menores, embora nem sempre isso signifique melhor escolha para seus clientes.

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A audiência --que reunirá Jeff Bezos, da Amazon; Mark Zuckerberg, do Facebook; Tim Cook, da Apple; e Sundar Pichai, do Google-- será um momento-chave na crescente reação contra as "Big Tech" nos Estados Unidos.

Muitos grupos de lobby de tecnologia e críticos do setor dizem ser improvável que a audiência resolva questões antitruste ou traga novas informações à mesa.

É provável que a Apple seja questionada sobre a maneira como gerencia sua loja de aplicativos depois de enfrentar críticas de que ela apresenta obstáculos aos recém-chegados. A Apple disse à Reuters que argumentará que não tem controle de participação de mercado para aplicativos. O fabricante do iPhone vê sua loja como um recurso projetado para garantir a segurança e a confiabilidade de seus telefones.

A Apple também abordará questões como o processo de aprovação da loja de aplicativos --há muito tempo que os desenvolvedores afirmam que seus aplicativos estão suspensos sem aviso prévio-- e alegações de que não compartilha funções importantes, como dados sobre a localização do telefone.

As outras empresas também alegam que ainda enfrentam muita concorrência.

Uma fonte familiarizada com os planos da Amazon disse que Jeff Bezos falará sobre as opções que os consumidores têm para compras online e como a pandemia de coronavírus impulsionou o comércio eletrônico em geral --inclusive para grandes rivais do varejo, como Walmart.

Ele também falará sobre pequenos vendedores em sua plataforma de marketplace e "como eles continuaram a prosperar apesar da concorrência da Amazon", acrescentou a fonte. A Amazon está sendo analisada minuciosamente sobre como usa dados de pequenos vendedores para beneficiar seus próprios negócios.

Bezos também abordará alegações de que a empresa aproveitou a pandemia ao limitar o estoque vendido por pequenos vendedores, mas evitará tratar de questões controversas, como a conversa sobre cisão da empresa, disse a fonte.

Zuckerberg, do Facebook, seguirá uma abordagem semelhante, disse outra fonte. Ele deve argumentar que a empresa tem fortes concorrentes, incluindo Google e Amazon, no lado da publicidade, e Twitter e TikTok, nas mídias sociais.

Espera-se que Zuckerberg renove o pedido da empresa de regulamentação governamental em áreas como conteúdo prejudicial nas mídias sociais, integridade das eleições e privacidade --áreas em que a empresa tem sido criticada.

Detalhes dos prováveis argumentos do Google não estavam disponíveis. Mas nas últimas semanas a empresa publicou posts em blogs e um "whitepaper" afirmando que ainda enfrenta muita concorrência e que as taxas cobradas por compradores e vendedores de anúncios são justificadas.

Amazon, Facebook e Google não quiseram comentar.

"Não há muito o que os CEOs de tecnologia possam fazer para apaziguar os críticos 'antitech' ... essa audiência não é para descobrir a verdade, mas para criar notícias", disse Carl Szabo, vice-presidente e consultor-geral do grupo de lobby da indústria NetChoice.

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