Negócio entre Highline e Oi pode aumentar competição no 5G


Raquel Landim
Por Raquel Landim, CNN  
23 de julho de 2020 às 21:40 | Atualizado 23 de julho de 2020 às 23:15

As autoridades de defesa da concorrência respiraram aliviadas com a oferta de R$ 15 bilhões da desconhecida Highline pela operadora de telefonia celular Oi.

Segundo apurou a CNN, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) observava com preocupação a possibilidade de Vivo, Claro e TIM adquirirem e fatiarem a concorrente.

Nos bastidores da autarquia já se comentava que a chance de um eventual veto ao negócio, caso fosse concretizado, era significativa.

Além de garantir a concorrência no mercado de celulares, as autoridades estavam atentas aos reflexos desse movimento de concentração no leilão do 5G.

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O edital do 5G prevê cinco blocos na “faixa nobre” para o uso da tecnologia, com dois reservados para novos entrantes.

Se não houver mudança, haveria, portanto, três blocos disponíveis para quatro operadoras de celular, o que garantiria a concorrência. Caso a Oi fosse fatiada entre TIM, Claro e Vivo, o potencial de arrecadação do leilão diminuiria significativamente.

De propriedade da gestora americana Digital Colony, a Highline opera na infraestrutura de telefonia celular e não diretamente no atendimento ao consumidor. Seu público alvo são bancos e grandes conglomerados que precisam de frequências de internet para data center.

Sem adquirir a Vivo, a Highline teria que entrar nos blocos reservados para novos entrantes, que tem apenas 60 MHz cada. Com a concretização do negócio, ela pode competir diretamente com Vivo, TIM e Claro pelos blocos maiores (dois de 100 MHz e um de 80 MHz).

A oferta de Vivo, Tim e Claro pela Oi não está totalmente descartada. Embora a Highline tenha conseguido um acordo de exclusividade, a Oi está em recuperação judicial e qualquer negócio tem que ser avalizado pelos credores.

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