Mourão volta a defender criação de imposto para compensar desoneração da folha

Vice-presidente, no entanto, admitiu que a medida depende da aprovação do Congresso Nacional

Caroline Rosito, da CNN, em Brasília
31 de julho de 2020 às 11:26 | Atualizado 31 de julho de 2020 às 12:16
O vice-presidente Hamilton Mourão
Foto: Adriano Machado/Reuters (29.jul.2020)

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) afirmou nesta sexta-feira (31) que defende a criação de um novo tributo sobre transações financeiras para compensar a desoneração da folha de pagamento das empresas. Mourão, no entanto, admitiu que a medida depende da aprovação do Congresso Nacional. 

“Se quer fazer desoneração da folha, tem que haver uma compensação de outra maneira. A outra maneira foi essa que o ministro Paulo Guedes já citou e eu concordo com ele. Agora, se o legislativo, que representa a sociedade, não desejar, não desonera a folha”, afirmou em entrevista à imprensa. 

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Mourão disse ainda que a proposta, aos moldes da antiga CPMF, por enquanto é só “figura de retórica”. 

O novo imposto está na proposta de reforma tributária do ministro da Economia Paulo Guedes, que prometeu enviar ao Congresso a segunda parte do texto em agosto. 

A medida ainda sofre resistência dentro do Congresso. Ontem, o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM) afirmou, em seminário promovido pela Folha de S.Paulo, que a eventual proposta de criação de um novo imposto seria um “jeitinho de taxar mais a sociedade”.

“O presidente vai mandar a proposta [de um novo imposto]? Então, encaminha a proposta. Estou dando a minha opinião. Não vai passar. Eu sou um voto. Em PEC, eu voto. Vou votar contra. Eu jogo muito transparente na política. Não jogo pelas costas. Quando eu negocio, falo: 'Eu sou contra isso e meu voto vai ser assim'. Aqueles poucos que eu influencio, vou tentar influenciar também para votar contra", disse Maia.

'Liberdade de expressão'

Mourão afirmou ainda que Bolsonaro entrou no STF para suspender decisão que bloqueou contas em redes sociais para garantir a liberdade de expressão.

"Tudo que vai contra a liberdade eu acho que não está correto. Foi esse o motivo que levou o presidente, como chefe de estado, a solicitar a AGU que entrasse com liminar contra essa medida do ministro Moraes", disse Mourão em entrevista à imprensa. 

O vice disse ainda que Bolsonaro, como chefe de estado, tem o dever de defender a Constituição Federal. 

"As pessoas têm que lembrar que ele é chefe de governo e de estado. Como chefe de estado ele tem o dever de defender a Constituição e uma das cláusulas é a liberdade de expressão", completou.