Vendas do comércio sobem 8% em junho, mas setor tem pior semestre desde 2016

Esta foi a segunda alta seguida do setor, após os tombos observados em março e abril

Paula Bezerra, do CNN Brasil Business, em São Paulo*
12 de agosto de 2020 às 09:33 | Atualizado 12 de agosto de 2020 às 13:02

As vendas do comércio varejista tiveram alta de 8% em junho, quando comparado com maio. É o que mostra os dados divulgados nesta quarta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esta foi a segunda alta seguida do setor, após os tombos observados em março e abril, meses marcados pelo isolamento social para evitar a disseminação do novo coronavírus. 

Na comparação com junho de 2019, o setor apresentou um tímido acréscimo de 0,5%. As sequências de altas, porém, não foram o suficiente para compensar as perdas acumuladas pela pandemia e o comércio encerrou o acumulado com queda de 3,1% em comparação com o mesmo período de 2019. Este foi o pior resultado para o semestre desde 2016, quando o setor apresentou queda de 5,6%. 

Leia também: 
Sem auxilio emergencial, queda no varejo seria duas vezes maior
Com a pandemia, setor de comércio eletrônico deve crescer 18% em 2020
Após queda recorde por Covid-19, vendas do comércio crescem 13,9% em maio

Movimento no centro de Belo Horizonte após a reabertura do comércio
Foto: Alex de Jesus - 25.mai.2020/O Tempo/Estadão Conteúdo

“Os resultados positivos em junho eram esperados, pois viemos de uma base de comparação muito baixa, que foi o mês de abril (-17%)", diz Cristiano Santos, gerente da pesquisa. "Esse crescimento, então, foi praticamente generalizado, distribuído em quase todas as atividades. Desde o começo da pandemia, a gente bate muitos recordes, tanto negativos quanto positivos, então os números estão muito voláteis”, explica.

O dados do comércio demonstram que a atividade econômica brasileira vem dando sinais de recuperação nos últimos meses, após o fechamento de lojas físicas e outros estabelecimentos por todo o país devido ao surto de coronavírus. Não à toa, os números vieram melhor que a expectativa do mercado. Projeções da Reuters estimavam alta de apenas 5,4% para o mês, e uma queda de 3,45% para o semestre. 

Entretanto, as incertezas provocadas pela pandemia em torno da economia e do trabalho e da capacidade de contenção do vírus ainda pairam sobre o país.

Destaques do mês

No mês de junho, todas as atividades pesquisadas tiveram alta das vendas na comparação mensal, com exceção apenas de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com recuo de 2,7% frente a maio.

Entre os resultados positivos, os destaques foram Livros, jornais, revistas e papelarias (+69,1%), Tecidos, vestuário e calçados (+53,2%) e Móveis e eletrodomésticos (+31%).

Já Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo tiveram alta de apenas 0,7%. Esse resultado, bem como o de artigos farmacêuticos, deve-se segundo o IBGE ao fato de essas atividades terem sido consideradas durante a pandemia e, portanto, não sofreram tanto impacto quanto as outras.

“O setor de hipermercados pesa muito no indicador. Nesse mês a participação dele foi de 50,8%. Essa variação grande e volátil das outras atividades foi contida por esse setor e segurou o índice em 8%”, explicou Santos.

No varejo ampliado, o volume de vendas cresceu 12,6% em junho sobre o mês anterior, com aumento de 35,2% dos Veículos e motos, partes e peças e de 16,6% de Material de Construção.

Entre as empresas consultadoas na pesquisa, 12,9% relataram impacto em suas receitas em junho das medidas de isolamento social, em um recuo ante 18,1% em maio.

(Com Reuters)

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook