OLX Pay vai incentivar venda de produtos usados na internet, diz CEO da empresa


Matheus Prado, do CNN Brasil Business, em São Paulo
13 de agosto de 2020 às 07:00 | Atualizado 13 de agosto de 2020 às 07:44

A OLX Brasil observou, na linha de outros players do mercado de e-commerce como o Mercado Livre, um crescimento considerável dos seus negócios durante o período de isolamento social. Durante a pandemia, a empresa registrou aumento de 93% na procura por itens de esporte e lazer e 70% nos produtos para casa.

E, para ampliar o escopo, segue investindo pesado em soluções para complementar os serviços que oferece no país. Depois de divulgar a compra do Grupo Zap por R$ 2,9 bilhões no início do ano, anunciou em julho a implementação do OLX Pay, carteira digital que pretende solucionar algumas das maiores queixas de usuários da plataforma.

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Em entrevista ao CNN Brasil Business, o CEO da empresa, o holandês Andries Oudshoorn, afirmou que o projeto já estava em desenvolvimento e foi acelerado por conta da pandemia da Covid-19. O objetivo, segundo o executivo, é dar “segurança, comodidade e acessibilidade” para quem compra e vende produtos ali. 

“As pessoas costumam negociar no OLX e depois se encontram pessoalmente para sacramentar o negócio, normalmente pago em dinheiro”, diz. “Mas existe um potencial muito grande para negociar com pessoas que vivem em outros lugares. Isso foi uma demanda dos próprios usuários.“

Marketplace com mais de 60 subcategorias, a OLX Brasil conta com meio milhão de anúncios todos os dias e uma média de duas milhões de vendas por mês – cerca de 50 por minuto. Em 2019, a empresa controlada pela Prosus e pela Adevinta, duas gigantes europeias, registrou aumento de 26% na receita líquida, a € 79 milhões.

Um dos principais recursos adicionados através do Pay, chamado Compra Segura, garante que o vendedor receberá o pagamento em até 24 horas e protege o comprador, permitindo a devolução do valor pago caso tenha algum problema no recebimento ou condição do produto. A empresa promete ainda intermediar possíveis conflitos entre as partes.

Além disso, a companhia também quer incentivar o consumo melhorando as condições de pagamento. A partir da implementação do OLX Pay, as transações poderão ser feitas com cartão de crédito à vista, parcelado em até 12 vezes ou com a utilização do saldo existente na própria carteira digital. 

Para cuidar das entregas, a marca vai apostar em parceria com os Correios e com empresas especializadas em logística. “Temos um modelo diferente da maioria dos marketplaces, em que uma empresa vende para pessoas e envia seus produtos de um mesmo estoque”, diz.

“No nosso caso, cada produto é diferente, cada rota é diferente. Então é uma logística mais sofisticada, mas vamos oferecer isso como opção para os usuários”, diz Oudshoorn. Questionado se a empresa pretende investir neste setor de logística, o executivo afirma que, com este modelo aberto, não vê “necessidade de criar novas soluções”.  

Mercado Imobiliário

Se boa parte dos setores da empresa registraram aumento no tráfego durante o período de isolamento, duas áreas sofreram bastante. “A procura por carros e imóveis caiu bastante nos primeiros dias, havia muitas incertezas”, diz. “Depois vimos recuperação gradual. A venda de carros já está 20% acima do que se via antes da pandemia.” 

Apesar do momento, a OLX aposta muito no dois mercados, apostando bilhões na área imobiliária. A compra do Grupo ZAP, que ainda depende de aprovação do Cade, por R$ 2,9 bilhões, faz com que a empresa tenha um posicionamento ainda mais forte no setor. 

Agora Andries pretende trabalhar juntamente com imobiliárias, incorporadoras e bancos para realizar esta transição digital e impulsionar o mercado novamente. “A tendência é que o mercado cresça muito por conta da queda da taxa de juros”, diz. “Queremos melhorar as buscas, a qualidade dos anúncios e as condições de financiamento para melhorar a jornada do cliente.”

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