Felipe Miranda, da Empiricus: abandonar a agenda liberal é voltar à era Dilma


Fernando Nakagawa
Por Fernando Nakagawa, CNN  
17 de agosto de 2020 às 13:33 | Atualizado 17 de agosto de 2020 às 16:43

O abandono da agenda de reformas e das políticas liberais fará o Brasil voltar à política econômica do governo Dilma Rousseff. A avaliação é do fundador e estrategista-chefe da casa de análise Empíricus, Felipe Miranda.

“O abandono da postura liberal e fiscalista vai nos conduzir ao que foi rigorosamente a nova matriz econômica no começo dos anos de 2010”, disse em entrevista ao Carteira Inteligente, programa semanal de finanças pessoais e investimentos da CNN.

A "nova matriz econômica" foi a alcunha dada às decisões macroeconômicas de Dilma Rousseff durante o seu período na presidência e que tinha como foco o gasto público para gerar crescimento.

Miranda lembra que a adoção dessa política econômica teve “consequências muito bem sabidas: mais inflação e câmbio explodindo”.

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Um dos nomes mais polêmicos do mercado financeiro, Felipe Miranda diz que “ninguém sabe o que vai acontecer” nos rumos da política econômica diante das mudanças recentes.

“É um risco, a gente está preocupado com isso. Mas sem tratar isso (a mudança da política econômica) de forma maniqueísta. Não é assim: o Brasil ou vai para um super ajuste fiscal ou vai largar tudo e abandonar qualquer trajetória fiscalista. Ao contrário, a tradição brasileira é mais de certa mediocridade, no caráter mais ‘macunaímico’ do tudo ou nada”.

Diante desse quadro, Miranda sugere parte do carteira de investimentos em ações, títulos de prazo longo e ativos em mercados internacionais.

“Mas sem esquecer que há um risco muito grande associado ao cenário doméstico”, diz, ao lembrar que esse quadro exige posição mais “defensiva”. Miranda sugere defesa em “moedas estrangeiras, em dólar e euro, e um pouco metais preciosos, com ouro e prata”.

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