Quer pedir comida pelo Google? Conheça a estratégia da startup Delivery Center


André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
21 de agosto de 2020 às 07:30 | Atualizado 21 de agosto de 2020 às 10:28
Delivery Center

Unidade do Delivery Center: empresa fechou parcerias com a B2W, dona da Americanas, e com o Google

Foto: Delivery Center/Divulgação

O hábito de pedir comida se transformou nos últimos anos. Se antes era normal fazer uma ligação para solicitar uma refeição (e as opções, geralmente, se concentravam em pizzas no jantar), atualmente virou rotina pedir os mais diversos tipo de comida por aplicativos como iFood, Uber Eats e Rappi.

Mas a startup Delivery Center, que nasceu para ser uma integração dos lojistas de shoppings ao mundo digital, quer mudar um pouco esse hábito.

Não totalmente, é claro. A startup acredita que o mercado é grande o suficiente para que esses aplicativos líderes de mercado dividam espaço com outros rivais, que até então sequer pensavam em entrar na disputa do mercado de food service. É o caso da B2W e do próprio Google. 

Recentemente, a Delivery Center fechou uma parceria com a B2W (BTOW3), que é dona dos sites Americanas.com, Submarino e Shoptime. A ideia é trazer os restaurantes de shopping para os aplicativos da varejista. Ou seja, além de comprar eletrônicos e roupas, as pessoas também poderão pedir comida pelo app do Submarino ou da Americanas.

Isso acontecerá a partir do início de setembro, segundo Saulo Brazil, CEO do Delivery Center. “Acreditamos que o futuro da alimentação será multicanal, com espaço para vários aplicativos”, diz ele.

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Com a parceria, Brazil acredita que os lojistas de shoppings passarão a ter 10% do seu faturamento ligado à plataforma em um breve período.

Outra novidade, e que entrou no ar na quinta-feira (20), é uma parceria com o Google. A Delivery Center é uma das empresas que fez parceria com a gigante do Vale do Silício para que seja possível fazer compras de refeição direto pelo buscador ou pela ferramenta Google Maps.

Ou seja, basta fazer uma pesquisa de restaurantes e, se ele estiver conectado à plataforma, será possível pedir diretamente pelo Google. Além do Delivery Center, os aplicativos Rappi e Onyo também entraram na jogada.

O modelo é similar ao que o Google já faz com outros setores, como reserva com hotéis e de passagens aéreas. (Entenda a forma de fazer um pedido) 

Há espaço para todo mundo?

Mas faz sentido entrar em um mercado em que as líderes despontam tão à frente, como é o caso de delivery de comidas? Um exemplo muito lembrado por especialistas é que essa corrida por ser o primeiro aconteceu também no transporte de pessoas.

Porém, está tendo cada vez mais uma concentração de empresas. No mundo, Uber e Lyft dominam. No Brasil, a Uber disputa com a 99, que tem a chinesa Didi Chuxing como controladora.

Para Brazil, isso não deve se repetir no mercado de food service.

“Dada as circunstâncias do mercado, acreditamos que é improvável que ‘o vencedor ganhará tudo’”, diz o executivo, em alusão à premissa no mercado de tecnologia que haverá apenas uma empresa dominante por mercado. “Todos estão fazendo os seus marketplaces e a empresa que prestar o melhor serviço ao lojista sairá na frente.”

Digitalização dos shoppings

A digitalização do setor é a missão que a empresa tem no mercado. Atualmente, a Delivery Center atende 40 shoppings e, até dezembro, pretende chegar a 60 centros de compras.

O foco em shoppings faz todo o sentido para a empresa. Trata-se de um diferencial competitivo ante as principais rivais. A Delivery Center usa os centros de compras como uma espécie de hubs de distribuição – e os seus estoques são repostos pelas próprias empresas. Então, a companhia quer ser vista pelos lojistas como uma solução de todos os problemas em um só lugar.

A estratégia chamou atenção do setor. A startup tem entre os seus principais acionistas o Multiplan (MULT3) e o brMalls (BRML3). Ou seja, até concorrentes se juntam para buscar novas soluções. Em janeiro, as empresas realizaram um aporte de R$ 69 milhões na Delivery Center.

No total, a startup já recebeu R$ 100 milhões e tem como outros investidores José Galló, ex-presidente da Lojas Renner, e o Grupo Trigo, dono das redes de restaurantes Spoleto e Koni, e a Blooming Brands, responsável pelas bandeiras Outback e Abraccio, a Cyrela CCP e Fernando Stein, da rede de estacionamentos Indigo. No fim do ano passado, a Delivery Center foi avaliada em R$ 288 milhões.

Até o fim do ano que vem, a empresa espera alcançar 200 shoppings com as suas soluções. Segundo a Associação Brasileira de Shoppings Center, o Brasil deverá finalizar 2020 com quase 600 unidades em operação. Ou seja, ainda haverá um grande espaço a desbravar. 

“O mercado está no meio de uma transformação e nós estamos aqui para ajudar o lojista a entender melhor o processo”, diz Brazil, do Delivery Center.

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