Há 10 anos, a Tesla realizava seu IPO; veja as previsões de Elon Musk na época


Poppy Harlow, do CNN Business, em Nova York
22 de agosto de 2020 às 07:00
Elon Musk

Elon Musk em 29 de junho de 2010, dia do IPO da Tesla na Nasdaq

Foto: CNN

Lembro-me bem daquele dia. Era uma daquelas manhãs perfeitas e claras da cidade de Nova York. Seria minha primeira vez entrevistando um homem que todos conhecemos agora, e que muito provavelmente continuará a mudar o mundo: Elon Musk.

Aquele dia, pouco mais dez anos atrás, foi o dia da oferta pública inicial da Tesla, 29 de junho de 2010, e Musk estava dando entrevistas do lado de fora da bolsa de valores Nasdaq.

Ficamos na frente de um Tesla Model S. vermelho novinho em folha. Na época, o carro era a vanguarda da tecnologia automotiva. O empresário me disse que o IPO daria à Tesla “um pouco de proteção adicional caso o Model S demore mais do que o esperado [para ser lançado]”.

A meta era que o Model S fosse lançado em 2012. “Esperamos atingir uma taxa de produção de 20 mil unidades por ano no início de 2013”, contou. No fim, a Tesla vendeu 22.477 carros em 2013 – um aumento acentuado em relação aos 3,1 mil do ano anterior.

Musk me contou que seu maior sonho era ser fazer um carro para o povo. “O que espero que estejamos fazendo em cinco anos é nosso veículo de mercado de massa”, afirmou. “De início, meu sonho para a Tesla era fazer veículos elétricos para o mercado popular”.

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Dez anos depois, o Model 3 da Tesla, o modelo mais acessível da montadora, custa atualmente cerca de US$ 38 mil. É mais barato comprar um Tesla hoje que no início da empresa, mas ainda assim ela continua sendo uma marca de luxo.

Quando questionado sobre o tamanho que ele imaginava para Tesla no futuro, ele respondeu: “muito maior que a Ferrari, e tomara que maior que a Porsche”. A Tesla, que agora vende centenas de milhares de carros por ano, conquistou as duas metas.

À época, embora muitos tenham tido a sensação de que Musk seria um enorme líder nesse setor, muitos também questionaram a viabilidade da empresa. O que quase nenhum de nós sabia naquela época era o quanto ele arriscaria na década seguinte.

Como ousar levar os terráqueos para Marte.

Em entrevista no mês passado, ele disse a Maureen Dowd, do The New York Times, que não teve tempo para projetar sua própria casa porque isso desviaria seu foco de “levar as pessoas a Marte e à sustentabilidade ambiental e acelerar a energia estável”. Os comentários foram feitos apenas alguns meses depois de Musk colocar à venda duas de suas mansões particulares multimilionárias no sul da Califórnia e tuitar que estava vendendo a maioria de seus bens.

Há também outros empreendimentos de Musk, muitos dos quais ainda estão em fase de elaboração, incluindo:

- Aeroportos espaciais offshore, ou seja, plataformas de lançamento flutuantes para o foguete Starship da SpaceX para ir à lua e Marte e levar turistas espaciais para a órbita da Terra.

-O Hyperloop, um sistema de trânsito de alta velocidade que enviará cápsulas por uma rede de túneis subterrâneos.

- The Boring Company, que visa construir túneis em Las Vegas e Los Angeles para sistemas de trânsito subterrâneo (como o Hyperloop) e evitar engarrafamentos acima do solo.

- Implantes Neuralink que podem se conectar com nossos cérebros e se comunicar com smartphones.

- SolarCity, negócio de painéis solares da Tesla.

O que Musk enxergou – e enxega – como possível, a maioria não vê assim. E na década seguinte, Musk desenvolveu uma relutância em desistir.

O empresário também é conhecido por ser franco e falar sem filtros, uma raridade entre os CEOs de empresas de capital aberto.

Ele também se tornou um para-raios por seus comentários – tanto políticos quanto sociais. No Twitter e ao falar com investidores, Musk questionou repetidamente a ameaça do coronavírus e protestou contra os pedidos para ficar em casa, chamando-os de “fascistas”. Ele até tuitou que acha que o preço das ações da Tesla é muito alto, fazendo com que os papéis, e uma boa parte de sua fortuna pessoal, encolhessem temporariamente

Em 2018, a SEC (omissão de Valores Mobiliários dos EUA) alegou que Musk enganou os investidores quando tuitou que tinha “financiamento garantido” para tornar a Tesla privada. O tuíte custou Musk (e à Tesla) multa pesada de US$ 20 milhões para cada um. Como parte do acordo de conciliação da SEC, Musk também concordou em desistir de sua posição como presidente da Tesla, embora continue sendo seu CEO.

A Tesla acaba de registrar seu primeiro lucro anual em janeiro. Ainda assim, no momento em que este artigo era escrito, a Tesla era mais valorizada do que a Ford (F), GM (GM) e Fiat Chrysler (FCAU) juntas. Ela também ultrapassou a Toyota (TM) como a montadora de automóveis mais valiosa do mundo.

Para os vendedores a descoberto que estavam apostando que as ações da Tesla cairiam, Musk respondeu em julho com uma linha agora esgotada de shorts da Tesla [o short como peça de roupa, em uma brincadeira com short selling, ou venda a descoberto] por US$ 69,420 a peça.

“Relaxe ao lado da piscina ou em ambientes fechados o ano todo com nossos Tesla Short Shorts em edição limitada”, dizia o anúncio do site da empresa. “Desfrute de um conforto excepcional com o toque do sino de encerramento”.

Os minúsculos shorts de cetim vermelho foram um sucesso completo, esgotando logo depois de serem colocados à venda. E, no estilo típico de Musk, ele tuitou: “Droga, quebramos o site!”.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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