Bayern x PSG: entenda como cada clube conquistou as suas receitas milionárias

Petroeuros de um lado, sócio-torcedor do outro; clubes possuem maneiras bem distintas de conquistar

André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
23 de agosto de 2020 às 06:32 | Atualizado 23 de agosto de 2020 às 20:49
Jogadores do PSG comemoram gol: clube foi regado pelos petroeuros vindos do Qatar
Foto: Benoit Tessier – 04.mar.2020/ Reuters

A final da Liga dos Campeões entre Paris Saint-Germain e o Bayern de Munique, vencida pelo time alemão pela sexta vez, colocou frente a frente times com receitas somadas de € 1,3 bilhão de euros. Trata-se do maior valor histórico de ambas as equipes, mas que tiveram caminhos bem diferentes para chegar a esses valores astronômicos.

O PSG, de Neymar e Kylian Mbappé, é um exemplo dos ‘novos ricos’ regados ao dinheiro vindo do petróleo do Oriente Médio. Prova disso é que em 2010, o PSG nem mesmo figurava mais entre os principais postulantes ao título do campeonato francês, a Ligue 1. Nesse ano, o clube faturou € 90 milhões.

Mas tudo mudou em 2011, quando o fundo soberano do Qatar, ligado ao governo do país, comprou o clube francês, que tinha o atacante Nenê (hoje jogador do Fluminense) como a principal estrela. O valor pago na época foi de cerca de € 50 milhões.

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Para se ter uma ideia de quão baixo é o valor, em 2017, o PSG pagou € 222 milhões para tirar Neymar do Barcelona. No mesmo ano, desembolsaram € 180 milhões pela revelação Mbappé.

A meta dos controladores er atransformar o clube em um dos maiores da Europa e também trazer uma imagem positiva do país do Oriente Médio.

Afinal, o Qatar, apesar de ser um país pequeno territorialmente, possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo – à frente inclusive do Brasil. Ao mesmo tempo, é o país mais desigual do mundo, segundo dados do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) da Organização das Nações Unidas (ONU). Logo, utilizar o futebol para fazer uma espécie de “limpeza” de imagem vem a calhar.

E a receita do PSG só cresceu desde então (veja gráfico abaixo). De 2010 para cá, segundo levantamento realizado pela consultoria Sports Value a pedido do CNN Business, a receita do PSG multiplicou por 7 e alcançou € 636 milhões.

Os títulos, no entanto, se resumiram a conquistas nacionais. Dos último oito campeonatos franceses, o PSG venceu sete – a maioria deles com uma grande vantagem aos principais rivais. Antes disso, o time de Neymar havia conquistado apenas dois “francesões” em sua história.

Mas a Liga dos Campeões sempre foi o principal objetivo de cobiça: afinal, a Ligue 1 não é lá vista como um grande campeonato como a Premier League, na Inglaterra, e os campeonatos espanhol e italiano. A derrota, portanto, deixa um gosto bem amargo na boca dos franceses.

Tradição (e muitos sócios)

Ao contrário do PSG, o Bayern de Munique é um clube de tradição na Alemanha há anos. Ele é 30 vezes campeão alemão (sendo o primeiro título na década de 1930) e cinco vezes campeão da Europa. O domínio nacional atualmente, no entanto, se assemelha ao do PSG na França: nos últimos 20 anos, o clube conquistou 14 vezes o “alemãozão”.

E, apesar de não ter crescido na mesma velocidade dos euros do petróleo do PSG, o Bayern também deu um grande salto em sua receita na última década. O faturamento mais do que dobrou de 2010 até 2019 e alcançou € 660 milhões.

Jogadores Jerome Boateng e Lucas Hernandez comemoram título do Bayern: líder, também, em sócios torcedores
Foto: Martin Meissner/Reuters

Um dos grandes motivos disso é a paixão dos seus torcedores, que fica muito bem visível no seu programa de sócio-torcedor. O Bayern lidera o ranking do programa de torcedores com 293 mil sócios pagos – o segundo é o português Benfica, com ‘apenas’ 230 mil. Cerca de € 100 milhões da sua receita vem do programa. 

Com a Allianz Arena sempre cheia, o clube Bayern é um dos exemplos de clubes bem administrados da Europa. Não por acaso, sempre organiza a sua “Jahreshauptversammlung” para mostrar os seus resultados financeiros para os seus torcedores e investidores.

Mesmo assim, o clube aproveita que é o mais popular da Alemanha e com mais torcedores (Munique fica toda em vermelho quando tem o jogo do time) para também abocanhar uma boa fatia de marketing.

Não por acaso, mesmo com jogadores menos badalados do que o PSG, consegue ter uma receita similar em marketing – inclusive, a companhia aérea Qatar Airways é um dos patrocinadores do Bayern (confira receitas de marketing abaixo).

Como as receitas de ambos estão bem próximas (diferença de apenas € 24 milhões) o título pode, inclusive, definir quem será maior em 2020. Ou “menos menor”, já que a pandemia deve afetar as receitas de ambos neste ano. Afinal, ambos estão jogando com estádios vazios e o caminho até a final do torneio teve duas partidas a menos do que em competições normais.

Em outro levantamento realizado pelo Sports Value, o Bayern de Munique deve ter perdas de receitas entre 12% e 30% neste ano. Já o PSG, deve ter redução de uma fatia entre 16% e 31% neste ano. Logo, a vitória do Bayern pode fazer com que a queda nas receitas seja bem menor do que o esperado.

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