Magalu recompra ações e mostra que não acredita que os seus papéis estão caros


André Jankavski, do CNN Brasil Business, em São Paulo
26 de agosto de 2020 às 19:45 | Atualizado 26 de agosto de 2020 às 20:29

No mercado financeiro, todos tentam ficar imaginando qual vai ser a próxima ação com uma alta similar que o Magazine Luiza (MGLU3) registrou nos últimos anos. Desde o fim de 2015, com o início da transformação digital iniciada por Frederico, teve um salto inimaginável. Para se ter uma ideia, o preço das ações subiu quase 28.000% no período.

Com uma alta tão expressiva, investidores de todos os lados começam a imaginar quando a ação da companhia estará cara. Nos últimos anos, não faltaram aqueles que cravaram que a empresa não subiria mais. Desde 2015 até o pregão de hoje, já subiu 1000%. De janeiro para cá, uma alta de 90%. É bom lembrar que, a cada ano que passa, a base de comparação fica mais alta.

Nesta quarta-feira (26), o mercado se surpreendeu mais uma vez com a empresa. E não foi nada a ver com o resultado da companhia no segundo trimestre. A alta de 25% das vendas em meio à pandemia (sendo 80% delas pela internet) já havia sido precificada.

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Fachada de loja da varejista Magazine Luiza

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Foto: Divulgação/ Magazine Luiza

Mas aí chegou o Magazine Luiza e anunciou que ia comprar 10 milhões de ações, equivalentes a 1,49% dos papéis em circulação, nos próximos 18 meses. Se a transação fosse realizada toda hoje, seria uma operação de R$ 880 milhões.

O que isso quer dizer? Segundo especialistas, a empresa mostra que acredita que as suas ações não chegaram em um pico. Ou seja, elas devem valorizar ainda mais.

“É uma sinalização que deve ter um aumento de preço e isso deve acontecer já nas próximas semanas. Como cada vez menos acionistas terão o papel, já que a empresa está recomprando, isso faz com que o papel se torne cada vez mais valorizado”, diz Igor Cavaca, analista da corretora Warren. É a tal regra da oferta e da demanda.

Não por acaso, após o anúncio, a varejista teve mais um dia de... alta. Enquanto o Ibovespa recuou 1,4% nesta quarta-feira, as ações do Magazine Luiza subiram 2,4%.

As ações recompradas para o Magazine Luiza podem ter alguns destinos diferentes. O primeiro deles é a empresa guardá-las na tesouraria, para conseguir lucrar lá na frente vendendo esses papéis por preços maiores. A outra é utilizar como bonificação para executivos e até para atrair ou reter talentos.

Está caro?

Mas há espaço para crescer ainda mais depois de tamanha valorização? Na opinião de Fernando Bresciani, analista da Mirae Asset, sim. Ano após ano, a empresa tem tido resultados bem acima da média do mercado. E na pandemia ela conseguiu trazer um diferencial.

No fim do ano passado, a companhia tinha 19 milhões de clientes em sua base de comércio eletrônico. O segundo trimestre, no entanto, mostrou que a varejista conseguiu elevar esse número para 30 milhões, uma alta de quase 60%.

“Se esse número cair nos próximos trimestres, será um sinal de alerta. Mas das empresas de varejo no Brasil, ela é a mais forte no e-commerce”, diz Bresciani.

O analista compara a empresa com o Mercado Livre, que se tornou recentemente a empresa mais valiosa da América Latina, avaliada em US$ 61 bilhões. O Magazine Luiza, no fechamento do pregão desta quarta, tem valor de mercado de US$ 26 bilhões.

Um diferencial frente à rival seria a capilaridade da empresa em lojas físicas. O Magazine Luiza possui 1157 lojas e tem enxerga potencial para aumentar em 150 neste ano. "Eles estão querendo abrir lojas cada vez menores para servirem mais como propaganda e centro de distribuição das vendas pela internet", diz o analista.

“Acredito que o Magazine Luiza é um concorrente pequeno agora, mas vai falar de igual para igual com o Mercado Livre no futuro”, completa. Os seus investidores agradeceriam. 

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