Havan, de Luciano Hang, registra pedido de IPO com carta inusitada a investidor


Paula Bezerra, do CNN Brasil Business, em São Paulo
28 de agosto de 2020 às 09:20 | Atualizado 28 de agosto de 2020 às 14:29
Loja da Havan

Loja da Havan, em Pinhais, no Paraná (02.MAR.2018)

Foto: Divulgação

"Sou Luciano Hang, um homem de origem simples, com um começo de história comum a muitos brasileiros. Disléxico, tive muitas dificuldades e só consegui ler aos 12 anos." O trecho a seguir pode parecer de um livro autobiográfico, mas faz parte do pedido de IPO (oferta pública inicial de ações),  protocolado pela rede varejista Havan, de Luciano Hang, na Comissão de Valores Imobiliários. A carta, em tom pessoal, informa que a oferta será primária e secundária – e narra todo o processo de ascensão da companhia. 

Fontes do mercado ouvidos pelo jornal O Valor Econômico afirmaram que, ao ser listada na B3, a Havan espera ser avaliada em até R$ 100 bilhões, atrás da queridinha do mercado, Magazine Luiza, que tem valor de mercado estimado em R$ 150 bilhões na Bolsa. O documento da Havan, porém, ainda não formaliza esses números. 

Para isso, Hang aposta na expansão da rede, com investimento para expandir e criar novas lojas, bem como aumentar centros de distribuição; no desenvolvimento tecnológico; e, por fim, fortalecer o capital de giro. Outro ponto destacado na carta é que Hang será o vendedor da oferta.

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Com o processo de IPO, Hang planeja vender parte de suas ações. A quantidade, porém, não foi definida. Segundo consta no documento, o executivo e fundador da varejista detém 100% da rede, com R$ 300 milhões em ações ordinárias.  

Itaú BBA, XP Investimentos, BTG Pactual, Bank of America, Bradesco BBI, Morgan Stanley, Santander e Safra estão entre os bancos que coordenarão a oferta. A coordenação líder, no entanto, está com o Itaú BBA. 

Ascensão da Havan

Fundada em 1986, em Brusque, Santa Catarina, a Havan conta atualmente com 147 lojas, em 17 estados do país. A expectativa da companhia é chegar ao número de 200 unidades até o final de 2022.

Em 2019, a rede varejista ocupou o 13º lugar no ranking “Os 50 Maiores Grupos Varejistas”, realizado anualmente pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, à frente de marcas como Dia e Makro. Além disso, registrou lucro líquido de R$ 428,4 milhões. Já no primeiro semestre de 2020, porém, registrou prejuízo de R$ 127,5 milhões, diante da crise econômica provocada pelo novo coronavírus. 

Justamente para driblar a crise, neste ano, a Havan passou a comercializar também alimentos, como arroz e feijão. Segundo a companhia, seu centro de distribuição movimenta mais de 1 milhão de itens por dia. Além disso, seu portfólio de produtos conta com mais de 100 mil itens, que vão de eletrônicos a artigos de cama e banho.

A empresa chama atenção por ter uma estátua da liberdade, um de seus grandes símbolos, em frente às unidades –  uma delas, localizada na chamada Parada Havan, em Barra Velha (SC), tem 57 metros de altura e, de acordo com o grupo, é considerada "o maior monumento do Brasil". 

Um dos principais ativos da companhia, porém, é a própria figura de Luciano Hang. Excêntrico, Hang ganhou maior projeção durante a campanha presidencial de 2018. Ele integra o Instituto Brasil 200, grupo de empresários que apoiou Jair Bolsonaro durante a corrida presidencial. Às vésperas da eleição, ficou na mira da Justiça do Trabalho por ter supostamente coagido seus funcionários a votarem no então candidato

Hang abraçou o movimento anticorrupção e passou a usar as cores da bandeira brasileira como estratégia de marketing. É comum ele dar entrevistas e comparecer a eventos públicos vestido com um terno verde e uma gravata amarela. O personagem ganhou da internet o apelido de "véio da Havan", alcunha que o próprio Hang adotou ao se comunicar nas redes sociais.

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